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Pesquisadores encontram sítio arqueológico que reflete o exato dia da extinção dos dinossauros

“Você está voltando ao dia em que os dinossauros morreram”, explica um dos cientistas que estudou a cratera do impacto

Alana Sousa Publicado em 01/04/2019, às 15h00

Ilustração dos dinossauros
Getty Images

O sítio arqueológico em Dakota do Norte, nos EUA, foi descoberto no fim dos anos 1970, porém apenas agora os paleontólogos descobriram que o local é um verdadeiro museu a céu aberto do exato dia em que os dinossauros foram exterminados da face da terra.

Conhecido agora como a formação de Hell Creek, o local fica a cerca de 3 mil quilômetros da cratera Chicxulub, no México, que possui 140 km de largura e, onde acredita-se ser o lugar onde o famoso asteroide atingiu a Terra, matando quase 75% da vida no planeta.

O cemitério de 66 milhões de anos foi primeiramente descoberto pelos cientistas, pai e filho, Luis e Walter Alvarez, na década de 70. Os dois examinaram o sítio, e agora Walter Alvarez é autor do artigo da revista Proceedings da National Academy of Sciences, onde publicou seu estudo.

Estima-se que três em cada quatro espécies morreram na extinção do Cretáceo-Paleogeno, também conhecida como o evento K-Pg ou extinção K-T.

Um dos fósseis de peixe encontrados no sítio / Reprodução

“Esta é a primeira assembleia de morte em massa de grandes organismos que alguém encontrou associada ao K-T. Em nenhuma outra seção da fronteira K-T na Terra, você pode encontrar uma coleção desse tipo consistindo de um grande número de espécies representando diferentes idades de organismos e diferentes fases da vida, todas as quais morreram ao mesmo tempo, no mesmo dia”, escreve um dos autores do estudo, Robert DePalma.

A análise, que começou em 2013, descobriu os mais variados fósseis, entre eles: esturjões e peixe-espátula fossilizados com esferas de vidro ainda em suas brânquias, animais parecidos com lulas, dentes de tubarão, restos de lagartos aquáticos predadores, e até mamíferos mortos, insetos, árvores e um triceratops. Foi achado também trilhas de dinossauros e tocas de mamíferos pré-históricos.

“Você está voltando ao dia em que os dinossauros morreram”, conta Timothy Bralower ao Washington Post. Bralower é paleoceanógrafo da Universidade do Estado da Pensilvânia, nos EUA, que está estudando a cratera do choque.

O impacto do Chicxulub teve diferentes maneiras de causar tantas mortes. Pesquisadores acreditam que o asteroide pode ter envenenado o planeta com metais pesados, transformado o oceano em ácido; ter envolvido a Terra na escuridão ou incendiando-a com tempestades de fogo globais; além de ter possivelmente provocado enormes erupções em vulcões.

Sobre a importância da recente descoberta, Jan Smit, paleontólogo da Universidade Vrije, em Amsterdã, que também foi um dos pesquisadores do artigo, conta: “Eu acho que podemos desvendar a sequência de entrada do impacto de Chicxulub em grande detalhe, o que nós nunca teríamos sido capazes de fazer com todos os outros depósitos ao redor do Golfo do México”.