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Pesquisadores encontram vestígios de especiarias em dentes de 3 mil anos do Mediterrâneo

Os registros dos alimentos exóticos são os mais antigos da região e trilham uma rota da comida

Wallacy Ferrari Publicado em 29/12/2020, às 08h57

Imagem ilustrativa de cúrcuma
Imagem ilustrativa de cúrcuma - Pixabay

Uma equipe internacional de pesquisadores realizou análises em arcadas dentárias de humanos que viveram por volta de 2.000 a.C. no sul do Levante, região banhada pelo mar Mediterrâneo, e localizou evidências claras do consumo de especiarias durante séculos, inseridos em dietas de cereais, gergelim e tâmaras.

"Especiarias exóticas, frutas e óleos da Ásia chegaram ao Mediterrâneo vários séculos, em alguns casos até milênios, antes do que se pensava”, diz o primeiro-autor do estudo, Dr. Philipp Stockhammer.  “É a primeira evidência direta até o momento de cúrcuma, banana e soja fora do Sul e Leste da Ásia.”

A análise, publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Science, encontrou alguns alimentos considerados exóticos para a região, como soja, banana e a cúrcuma, expandindo o conhecimento sobre a cozinha do antigo Oriente Médio com os registros mais antigos dessas especiarias.

Junto de colegas, Stockhammer, explicou como foi possível 'elaborar' uma rota através dos alimentos identificados: "No cálculo dentário de um indivíduo de Megiddo (Colina), foram encontradas proteínas açafrão e soja, enquanto em outro indivíduo de Tel Erani foram identificadas proteínas de banana. [...] É provável que todos os três alimentos tenham chegado ao Levante pelo Sul da Ásia”.

Ilustração mostra compra de especiarias / Crédito: Nikola Nevenov / Ludwig-Maximilians-Universität München

 

Compreendendo a origem da produção, o registro surpreende pela trilha da comida transportada e comercializada ao longo de séculos para a região, descrito como uma descoberta "espetacular" pelo autor do estudo — sendo o mais antigo já revelado de tais especiarias na região.

Sobre arqueologia

Descobertas arqueológicas milenares sempre impressionam, pois, além de revelar objetos inestimáveis, elas também, de certa forma, nos ensinam sobre como tal sociedade estudada se desenvolveu e se consolidou ao longo da história. 

Sem dúvida nenhuma, uma das que mais chamam a atenção ainda hoje é a dos egípcios antigos. Permeados por crendices em supostas maldições e pela completa admiração em grandes figuras como Cleópatra e Tutancâmon, o Egito gera curiosidade por ser berço de uma das civilizações que foram uma das bases da história humana e, principalmente, pelos diversos achados de pesquisadores e arqueólogos nas últimas décadas.