Notícias » Arqueologia

Pesquisadores esperam solucionar mistérios de tesouro com artefato

Jarra envolta em ouro de mais de mil anos foi restaurada e pode revelar detalhes sobre o Galloway Hoard, tesouro da Era Viking

Isabela Barreiros Publicado em 21/12/2021, às 08h09

Artefato do tesouro Galloway Hoard
Artefato do tesouro Galloway Hoard - Divulgação/Instagram/@nationalmuseumsscotland

Descoberta em 2014 em um condado escocês, uma jarra de pelo menos mil anos passou por um processo de restauração feito por especialistas do Museu Nacional Escocês, onde foi mantida os últimos sete anos. Agora, pesquisadores esperam que o artefato os ajude a decifrar os mistérios do "Galloway Hoard", tesouro viking do qual ele faz parte.

A peça foi apresentada ao público no último sábado, 18, após um longo processo que contou com um raio-X 3D, responsável por ajudar a equipe a visualizar a jarra por baixo do tecido e mofo que a cobria. Com isso, eles puderam retirar esse material sem danificar o que havia originalmente por baixo.

Uma inscrição em latim foi revelada durante a pesquisa. No fundo de sua estrutura, está escrito: "Bispo Hygauld me encomendou". É possível que a descoberta ajude os cientistas a entenderem quem foram os donos originais do tesouro, além de indicar que o item foi feito sob encomenda no reino Anglo Saxão de Nortúmbria, região entre os atuais norte da Inglaterra e sul da Escócia.

"Existem elementos no trabalho a ouro que não são parecidos com algo que tenhamos visto no trabalho usual anglo-saxônico", disse Martin Goldberg, curador da coleção medieval e viking do museu à CNN.

"Então ainda existe uma questão sobre onde ele foi feito. Mas a razão pela qual nós pensamos na Inglaterra anglo-saxônica vem da inscrição no fundo (da jarra)", acrescentou.

Os pesquisadores acreditam que a jarra de mais de mil anos, que tem cinco centímetros de altura, pode ter sido um presente diplomático dado pelo Império Romano para um reino Anglo-Saxão do Reino Unido e que tinha propósitos religiosos.

O "Galloway Hoard" é datado de 900 anos d.C. e conta com cerca de 100 objetos feitos de metais preciosos diferentes, além de pedra e barro. O Museu Nacional Escocês o definiu em 2014 como "a coleção mais rica de objetos raros e únicos da Era Viking já encontrados no Reino Unido e na Irlanda".