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Pesquisadores investigam se bilhete encontrado em garrafa realmente foi escrito por vítima do Titanic

Mensagem foi encontrada por uma família na Baía de Fundy, no Canadá

Fabio Previdelli Publicado em 13/05/2021, às 06h00

Pesquisadores da Université du Québec à Rimouski estão trabalhando para autenticar a carta
Pesquisadores da Université du Québec à Rimouski estão trabalhando para autenticar a carta - L'Université du Québec

Em junho de 2017, uma família em New Brunswick, no Canadá, alegou ter encontrado uma garrafa com um bilhete dentro, que pode ter sido escrito por uma vítima do naufrágio do Titanic, segundo informou o UOL. 

Agora, conforme relata o tabloide Daily Star, a missiva passará por uma análise para confirmar sua veracidade. A mensagem teria sido escrita por Mathilde Lefebvre, uma menina de 12 anos que viajou na terceira classe do navio. O portal diz que a carta é datada de 13 de abril de 1912 — um dia antes do acidente. 

"Estou jogando esta garrafa no mar, no meio do Atlântico. Devemos chegar a Nova York em alguns dias. Se alguém a encontrar, diga à família Lefebvre em Liévin", dizia um trecho da mensagem encontrada por Nacera Bellila e El Hadi Cherfouh, e por seus filhos: Koceila e Dihia

Segundo declarações do historiador Maxime Gohier, o item pode ser o primeiro objeto da famosa embarcação a ser encontrado na costa americana. Porém, desde que foi identificado, pesquisadores tentam decifrar se o escrito é real ou não. 

Garrafa e a carta que foram encontradas/ Crédito: Divulgação Jacques Lefebvre

 

"Considere várias possibilidades, todas igualmente interessantes e todas 'genuínas' a sua maneira. A mensagem pode ter sido escrita por Mathilde a bordo do Titanic ou pode ter sido escrita por outra pessoa em seu nome. Pode ser uma farsa escrita logo após a tragédia ou pode ser uma farsa recente", indaga Nicolas Beaudry, da Universidade de Quebec, ao Daily Star. 

"As marcas de molde na garrafa e a composição química do vidro são consistentes com as tecnologias usadas na fabricação desse tipo de garrafa no início do século XX. A rolha de cortiça e um pedaço de papel enfiado no furo da garrafa revelaram datas de radiocarbono compatíveis com a data da carta. Então, ainda não pegamos alguém que possa ter feito uma brincadeira, mas isso ainda não exclui uma farsa recente”, complementa. 

Porém, ele ressalta que tanto papel velho, garrafas e rolhas não são materiais difíceis de se encontrar. Além disso, os pesquisadores estudarão se é possível ou não a mensagem ter chegado até uma praia do Canadá. 

"Uma simulação de computador mostrou que a maioria dos restos do navio lançados no Atlântico Norte em 13 de abril de 1912 teriam seguido a Corrente do Golfo até as costas europeias. Mas alguns poderiam ter seguido um caminho diferente para as costas da América do Norte. Assim, embora não seja completamente impossível, permanece muito improvável e mais pesquisas buscarão quantificar a probabilidade”, explica. 

Outro ponto a ser estudado com mais cuidado é a caligrafia da garota. "[A letra] é inconsistente com o que as crianças francesas aprenderam na época, mas o bilhete poderia ter sido escrito para Mathilde por outra pessoa”, diz. 

O Daily Star também informou que a equipe de pesquisadores realizará análises químicas adicionais, assim como fará um estudo geomorfológico da Baía de Fundy, onde a garrafa foi localizada. "Nossa equipe vai ser ampliada em um futuro próximo para incluir um especialista em perícia forense de documentos", concluiu o pesquisador.