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Pigmentos característicos de europeus são encontrados em vasos andinos centenários

A pesquisa joga luz sobre a relação comercial e de transporte da população andina durante o período colonial

Wallacy Ferrari Publicado em 30/07/2020, às 09h13

Duas das cabeças relatadas pelos paleontologistas
Duas das cabeças relatadas pelos paleontologistas - Alyson Thibodeau

Uma equipe de paleontólogos que realizavam estudos sobre a pigmentação branca de chumbo em vasos cerimoniais andinos, conhecidos como ‘qero’, foi surpreendida pela descoberta de uma ligação colonial nos traços de uma figura de felino. De acordo com o estudo publicado na revista Heritage Science, em oito qeros, a tinta encontrada foi identificada como importada dos Andes da Europa.

Em outras 12 analisadas, a equipe constatou que o chumbo branco era fabricado localmente, mas com o racionamento da tinta importada, com a produção e transporte realizados durante o período colonial, entre 1532 e 1821. A identificação do material importado joga luz sobre a relação de comércio dos andinos antigos e que rotas foram feitas para obter a pigmentação

Cabeça de um felino relatada pela equipe antropológica / Crédito: Alyson Thibodeau

 

Com o auxílio de uma equipe de paleontologia do Museu Nacional Smithsoniano do Índio Americano em parceria com o o Metropolitan Museum of Art, o projeto de identificação faz parte do Programa UCLA / Getty em Conservação de Materiais Arqueológicos e Etnográficos promovido pelo Museu Americano de História Natural.

O geoquímico Alyson Thibodeau foi um dos líderes da pesquisa junto com a graduanda Allison Curley, e explicou a importância da descoberta: “Pouco se sabe sobre a história dos qeros coloniais agora em museus ou coleções particulares. Os resultados podem levar a uma melhor compreensão da cronologia e produção dos objetos”.