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Pilar de 4.500 anos revela a história da guerra de fronteira mais antiga

Ele foi elaborado a mando do rei da cidade de Lagash, que disputava com os vizinhos de Umma a posse de um território fértil

Mariana Ribas Publicado em 14/12/2018, às 12h26 - Atualizado às 13h46

Pilar de Lagash
Conselho do Museu Britânico

Demorou 150 anos para que um pilar da antiga Suméria fosse finalmente codificado. Até que a peça, mantida pelo Museu Britânico, chamasse a atenção do curador do Departamento do Oriente Médio, Irving Finkel. Ele finalmente decodificou o texto, e concluiu: trata-se do mais antigo relato a respeito de uma disputa de fronteira.

O cilindro onde o texto foi gravado tinha o objetivo de estabelecer a fronteira entre duas cidades antigas localizadas no atual sul do Iraque, chamadas Lagash e Umma. Elas estavam disputando uma área muito fértil chamada ”Gu'edina” ("Borda da Planície"). Por volta de 2.400 a.C., o rei de Lagash mandou produzir o pilar, um documento  para reivindicar seu território.

Mas o documento não foi aceito pelos vizinhos. O resultado foi a primeira guerra de fronteiras de que se tem notícia. O conflito, por sua vez, levou a um tratado de paz, o primeiro conhecido.

O cilindro está exposto em uma exposição do Museu Britânico chamada “Terra de Ninguém”, expressão que está registrada no cilindro. A amostra também conta com uma cabeça cerimonial feita para o Rei de Umma, Gishakidu, e a Placa de Ur, que relata as ofertas feitas em um santuário de fronteira.

De acordo com o museu, o pilar não era apenas um objeto de estrada para indicar o inicio do território de Lagash. Ele também conta a história da guerra. O redator do texto quis deixar claro o nome do deus de Lagash, o Ningirsu, e escreveu o nome do rei de Umma como se ele fosse alvo de algum tipo de maldição divina.

“Você tem em um fôlego o uso da escrita de uma maneira mágica para aumentar o poder de uma divindade e depois anular o poder da outra. Isso é único em cuneiforme. É a coisa mais excitante que você pode imaginar ”, disse Finkel em uma entrevista para o jornal The Financial Times. Ele acredita que o cilindro foi desgastado de propósito por algum escriba da época, o que dificultou o trabalho dos arqueólogos modernos.