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Pintura roubada por nazistas será devolvida à família judia

A obra de Paul Signac foi apreendida por alemães durante a Segunda Guerra e descoberta pelas autoridades do país em coleção particular

Alana Sousa Publicado em 18/03/2019, às 14h00

Quai de Clichy. Temps gris
Paul Signac

O corretor imobiliário judeu francês Gaston Prosper Lévy adquiriu em 1927 a pintura de 1887 de Paul Signac, “Quai de Clichy. Temps gris” para sua coleção de pinturas impressionistas.

Porém, em junho de 1940, Lévy e sua esposa tiveram que fugir dos nazistas e antes de irem para a Tunísia, enviou a maior parte de sua coleção para sua residência Les Bouffards, ao sul de Paris. Alguns meses depois as obras foram apreendidas pelos alemães e o que aconteceu depois permaneceu um mistério.

Agora, pesquisadores redescobriram a pintura em uma coleção particular de Gurlitt e pretendem devolvê-la à família de origem. A coleção do comerciante de arte alemão Hildebrand Gurlitt vem sendo investigada nos últimos anos por autoridades alemãs. Muitas peças adquiridas pelo comerciante são suspeitas de terem sido roubadas de famílias judias e outras vítimas da perseguição nazista.

Os pesquisadores concluíram que o quadro “Quai de Clichy” entrou no mercado de arte francesa, e Gurlitt o adquiriu em algum momento entre 1943 e 1947.

O comerciante alemão colaborou com os nazistas para vender arte roubada no exterior e adquirir peças para museus nazistas. Ele permaneceu no mundo da arte após o fim da Segunda Guerra Mundial. Com sua morte, em 2012, seu filho Cornelius Gurlitt, herdou as obras de arte.

A coleção de cerca de 1.500 obras foi descoberta em 2014. Até agora, apenas sete peças confiscadas pelos nazistas, incluindo a pintura de Signac, foram identificadas.

A comissária alemã para cultura e mídia, Monika Grütters, disse em um comunicado que já está em contato com um dos descendentes da família e espera poder reconstituí-la muito em breve. “Este caso nos lembra mais uma vez que nunca devemos desistir de nossos esforços para investigar completamente o roubo de arte nazista, pelo qual a Alemanha é responsável. Cada obra de arte restituída é um passo importante na busca da justiça histórica”, finalizou Grütters.