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Placa que denuncia crimes de centro de tortura da Ditadura Militar é recolocada em Porto Alegre

A indicação havia sido instalada em 2015 como parte do projeto ‘Marcas da Memória’, mas foi retirada sem autorização pelos atuais proprietários

Redação Publicado em 30/04/2021, às 13h33

Placa colocada em frente a centro de tortura da Ditadura Militar
Placa colocada em frente a centro de tortura da Ditadura Militar - Divulgação/Maria Emília Portella/SMDS/PMPA/Divulgação

De acordo com informações publicadas na última quinta-feira, 29, pelo portal de notícias G1, uma placa que denuncia crimes cometidos na ditadura militar, instalada em frente ao local que serviu como centro de tortura da Ditadura Militar, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, foi realocada após ter sido removida sem autorização.

Segundo revelado na reportagem, a peça estava instalada no local que anteriormente serviu como um Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). O centro em questão era chamado de Dopinho e ficava na Rua Santo Antônio, no bairro Bom Fim, em Porto Alegre.

De acordo com informações do G1, a professora de História da PUC-RS, Tatyana Maia, afirma que o Dopinho foi "o primeiro centro clandestino na América do Sul, onde vários tipos de tortura aconteceram".

A placa em questão foi instalada no local no ano de 2015, como parte do projeto Marcas da Memória. Entretanto, em 2020 a peça foi retirada. Segundo divulgado na publicação, os responsáveis foram os atuais proprietários, que não tinham autorização para tal.

Após um inquérito instaurado pelo Ministério Público, houve um acordo para a recolocação da placa, que agora está de volta ao local de origem. Na peça, está estampado um texto que critica e relata os crimes da Ditadura Militar cometidos ali:

"Primeiro centro clandestino de detenção do Cone Sul. No numero 600 da Rua Santo Antônio, funcionou estrutura paramilitar para sequestro, interrogatório, tortura e extermínio de pessoas ordenados pelo regime militar de 1964. O major Luiz Carlos Menna Barreto comandou o terror praticado por 28 militares, policiais, agentes do Dops e civis, até que apareceu no Guaíba o corpo com as mãos amarradas de Manoel Raimundo Soares, que suportou 152 dias de tortura, inclusive no casarão. Em 1966, com paredes manchadas de sangue, o Dopinho foi desativado e os crimes ali cometidos ficaram impunes."