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Planta é ‘redescoberta’ em Santa Catarina após mais de 70 anos

Acreditava-se que a flor Nicotiana azambujae estava extinta; a expectativa agora é realizar a reintrodução da espécie na natureza

Isabela Barreiros Publicado em 03/03/2022, às 14h25

A planta da espécie Nicotiana azambujae, em Santa Catarina
A planta da espécie Nicotiana azambujae, em Santa Catarina - Luís Adriano Funez/Arquivo pessoal

Em outubro de 2021, pesquisadores “redescobriram” uma espécie de planta que estava "desaparecida" há pelo menos 70 anos durante uma saída do projeto "Biodiversidade do Alto Vale do Itajaí”, na Cachoeira da Magia, em Rio do Sul, Santa Catarina.

A flor, de nome científico Nicotiana azambujae, foi fotografada no seu habitat natural. Entretanto, após um mês da sua identificação, não foi mais encontrada na região — as plantas reencontradas haviam morrido.

No entanto, os especialistas felizmente colheram, no trabalho de campo, cinco cápsulas de diferentes plantas com cerca de 500 sementes, que viraram mudas no Horto Florestal da Universidade para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí (Unidavi).

Mudas da planta sendo cultivadas para reintrodução na natureza / Crédito: Luís Adriano Funez/Arquivo pessoal

Agora, como relataram especialistas em botânica ao portal G1, a expectativa é que a planta possa ser reintroduzida à natureza a partir dessa mudas, já que a semeadura aconteceu no começo deste ano, segundo o biólogo Robson Carlos Avi, professor professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

"Felizmente as mudinhas cresceram muito bem e já estão até produzindo novas sementes, o que deve garantir um futuro a essa espécie", explicou o biólogo mestre em botânica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e consultor em curadoria do Herbário Barbosa Rodrigues em Itajaí, Luís Adriano Funez.

Avi completou: "Conseguimos cultivar a espécie e estão em flor. O objetivo é conseguir mais sementes dessas plantas cultivadas para aumentar a produção de mudas e poder levar elas para a natureza posteriormente".

A reintrodução da espécie na natureza exige uma pesquisa maior no sentido de entender a biologia na planta, destacou Funez. "Também podemos pensar em curto prazo a reintrodução da espécie na natureza, uma vez que elas se mostraram muito prolíferas, o que é muito contraditório para uma espécie que ficou 73 desaparecida", comentou.

"A planta era apenas conhecida por uma única amostra datada de 1948, colhida em Brusque e ninguém tinha mais visto. Como já foram feitas várias buscas do tipo na localidade, se acreditava que estava extinta", acrescentou.