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Pneu de carro fura e pesquisadores descobrem nova espécie de réptil que viveu antes dos dinossauros no Piauí

A descoberta ocorreu no ano de 2016 enquanto os pesquisadores realizavam uma expedição, mas somente na última terça-feira, 12, a nova espécie foi registrada

Giovanna Gomes Publicado em 14/01/2021, às 08h23

Recriação do Katuria Furtunata
Recriação do Katuria Furtunata - Divulgação/Juan Cisneros

Uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Piauí encontrou no ano de 2016, uma nova espécie de réptil que existiu antes dos dinossauros. Eles estavam em uma expedição de carro entre as cidades de Palmeirais e Nazária, quando o pneu do veículo furou.

Assim, um dos integrantes saiu para explorar o local enquanto os outros resolviam o problema e acabou descobrindo uma nova espécie. O estudo foi publicado na revista "Journal of Systematic Palaeontology", referência na área da Paleontologia. As informações são do G1.

Contudo, somente na última terça-feira, 12, foi realizado o registro da descoberta. A demora se deve em decorrência da complexidade do trabalho feito pelos cientistas, de acordo com o paleontólogo e professor Juan Cisneros

“Quando o pneu furou, éramos cinco homens. Quatro ficaram trocando o pneu, enquanto um continuou andando pelo local, resultando na descoberta desse fóssil. Se não tivesse acontecido isso, provavelmente não teríamos feito essa descoberta, a verdade é essa”, declarou Cisneros ao G1, que em seguida explicou o significado do nome escolhido para designar a espécie: Karutia fortunata.

“Karutia em língua timbira significa pele enrugada e com caroços. Escolhemos esse nome porque os ossos do crânio do animal estão cobertos por muitas rugas naturais. Fortunata refere-se ao fato de que foi uma descoberta afortunada”, declarou.

Ainda segundo o pesquisador, o animal era semelhante a um calango e media cerca de 25 cm de comprimento. Sua dieta baseava-se na ingestão de insetos. Porém, ainda que parecido com os calangos de hoje, trata-se de um parente muito distante pertencente a um grupo totalmente extinto. Ele teria vivido na região há 280 milhões de anos, antes dos dinossauros.