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Poluição do ar e doenças cardíacas disparam riscos de demência, indica estudo

Durante 11 anos, 3 mil pessoas foram analisadas para relacionar a qualidade do ar com a doença

Redação Publicado em 01/04/2020, às 08h42

Imagem ilustrativa de uma fábrica expelindo fumaça
Imagem ilustrativa de uma fábrica expelindo fumaça - Getty Images

Um estudo publicado pela JAMA Neurology — revista médica que divulga pesquisas sobre o sistema nervoso — apontou que as chances de desenvolver demência ao longo da vida em locais pouco poluídos são tão grandes quanto em lugares com altos índices de contaminação.

Em um bairro central de Estocolmo, na Suécia, as taxas de poluição são bem menores se comparadas com o restante da Europa e os Estados Unidos, porém constantes. A equipe de cientistas cruzou, pela primeira vez, os efeitos de três itens em conjunto: doenças cardiovasculares, poluição do ar e problemas na cognição. Com isso, analisaram os efeitos de cada um desses elementos um sob o outro.

Três mil adultos foram acompanhados ao longo de 11 anos, todos vivendo em Estocolmo. As partículas finas nesses locais — elementos invisíveis que podem ser inalados facilmente e são grandes causadores dos males da poluição — estão presentes abaixo da média nesse local.

A primeira conclusão alcançada pelos cientistas foi a de que a exposição a poluição aérea por longo período se associa ao maior risco de demência. A autora da pesquisa, Giulia Grande diz que "os nossos achados sugerem que a poluição do ar tem sim um papel no desenvolvimento da demência, principalmente por meio da etapa intermediária de doenças cardiovasculares".

Além disso, um detalhe salta aos olhos dos pesquisadores pois, segundo eles, o aumento da demência teve um impacto significativo com exposições à poluição nos últimos 5 anos da pesquisa, do que nos anos finais do período estudado.

A maior associação de uma doença cardiovascular com a poluição e a demência foi, sem dúvida, o AVC. Este acidente se relaciona com 50% dos casos de demência que também podem ser relacionados a qualidade do ar.

Grande, afirmou que, por isso “existem ainda mais razões para reduzir emissões de gases poluentes e otimizar o tratamento para aqueles com risco de doenças cardiovasculares, especialmente para pessoas que vivem em áreas muito poluídas”.

68% das pessoas no mundo irão viver em centros urbanos até 2050. Ao mesmo tempo, o número de humanos com demência deve triplicar em 30 anos, esse cenário, de acordo com a pesquisa, lança um desafio futuro global em lidar com estratégias para previnir a debilidade intelectual.