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Por mostrar Jesus em prostíbulo, Porta dos Fundos é processada

Integrante do grupo humorístico, Fábio Porchat defendeu o cunho das piadas: "Podemos e devemos ridicularizar"

Fabio Previdelli Publicado em 16/12/2021, às 18h00

Especial de Natal do Porta dos Fundos
Especial de Natal do Porta dos Fundos - Divulgação/Paramount+

Na última quarta-feira, 15, estreou na plataforma de streaming Paramount+ o especial de Natal do Porta dos Fundos, intitulado “Te Pego lá Fora". Como adiantado pela equipe do site do Aventuras na História, a narrativa animada retrata Jesus nos tempos da escola e também em um prostíbulo

A produção mal foi lançada e já se tornou alvo de críticas. Além do mais, segundo reportou o UOL, o Centro Dom Bosco de Fé e Cultura processou as empresas que comandam a Paramount+ por conta do desenho, além de pedir a censura do show. 

O centro religioso ainda pede uma indenização por danos morais, entretanto, o valor não foi divulgado. "Processamos a Paramount, empresa associada ao novo especial de Natal do 'Porta dos Fundos'. Que viva Cristo rei", anunciou a instituição em suas redes sociais. 

Essa, porém, não é a primeira vez que o grupo humorístico se envolve em polêmicas por conta de seu já tradicional Especial de Natal. Como relatou o Aventuras na época, a sede do Porta dos Fundos, no bairro carioca do Humaitá, foi alvo de um ataque de um grupo integralista em 2019. Já em 2020, um pai de santo processou o grupo em 1 bilhão de reais.

Em entrevista ao Vênus Podcast, o humorista Fábio Porchat, integrante do Porta e responsável pelo roteiro do especial, defendeu piadas que envolvem temas religiosos. "Podemos e devemos ridicularizar".


Juiz responde pedido

Na tarde de hoje, 16, conforme divulgou o site Conjur, o juiz Luiz Gustavo Esteves, da 11ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, baseou-se no artigo 5º da Constituição — que diz respeito à liberdade de expressão intelectual, artística, científica e de comunicação — para deferir sua decisão sobre o pedido de censura do Especial de Natal do Porta dos Fundos.

"Analisando-se a hipótese concreta, não se vislumbra em sede de cognição sumária o colorido traçado na petição inicial — não se vislumbra discurso de ódio, mas sim, uma sátira extremamente ácida, típica do grupo — a justificar a prévia censura pretendida, respeitado entendimento diverso", explicou ao negar o pedido feito pelo Centro Dom Bosco de Fé e Cultura.

Esteves ressalta que a negativa do pedido, porém, não significa que ele está anuindo com o conteúdo do programa, apenas que ele considera que a restrição do mesmo não cabe ao juízo.