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Livro revela por que Hitler nunca se casou (e bem mais)

Memórias de guarda-costas morto em 2001 trazem detalhes (por vezes perturbadores) das relações entre o Führer e as mulheres

terça 21 agosto, 2018
Cercado por admiradoras numa festa folclórica
Cercado por admiradoras numa festa folclórica Foto:Bundesarchiv

Uma coleção de memórias escritas por Karl Wilhelm Krause, que serviu como assistente pessoal e guarda-costas de Adolf Hitler de 1934 a 1939, revela detalhes sobre a vida amorosa e das relações em geral com as mulheres do líder nazista. Saindo agora em inglês, o livro Living With Hitler (“Vivendo com Hitler”) apresenta a visão de uma figura que tinha acesso livre à vida pessoal de Hitler.

Segundo o historiador Roger Moorhouse, responsável pela introdução do livro, Krause, que morreu em 2001, era “tão próximo de seu mestre quanto alguém poderia ser: o acordava de manhã, servia seu café da manhã, administrava seus objetos pessoais e viajava com ele para onde ele fosse”.

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Segundo o ex-guarda-coastas, ao contrário do que muitos pensam, Hitler não tinha repulsa às mulheres. O que nos leva à parte desconfortável. Durante seus primeiros anos no poder, muitas jovens e belas atrizes eram convidadas a visitar sua casa.

Hitler e Eva Braun Reprodução

“Frequentemente, durante nossas viagens, ele de repente ficava totalmente encantado, exclamando: ‘Meu Deus, olhe aquela linda garota!’. Então, ele se virava, fazendo com que eu, que estava atrás dele, fosse para o lado para que ele tivesse uma visão irrestrita e pudesse segui-la com o olhar”, conta Krause.

Se Hitler gostasse muito da garota, Wilhelm Brückner, outro de seus ajudantes, tinha que dar um jeito de conseguir o endereço da mulher e convidá-la para visitar o Führer em Munique, Berlim ou Obersalzberg. Para tomar um café. Só isso mesmo, segundo Krause. Seriam encontros castos.

Em outras partes, Hitler aparece extasiado com a atenção dada a ele pelas estudantes da Liga das Moças Alemães (Bund Deutscher Mädel), a versão feminina da Juventude Hitlerista. Então, tirava trocados do próprio bolso e dava às jovens, dizendo que era “para pagar seu café e bolo”. 

Ele também nega veementemente boatos de relações entre o Fuhrer e a cineasta pró-nazista Leni Riefenstahl ou Winifred Wagner, nora do compositor nacionalista Richard Wagner, um dos favoritos de Hitler. 

Durante o período em que Krause trabalhou para Hitler, o líder nazista já mantinha um relacionamento com Eva Braun – com quem se casaria em 29 de abril de 1945, um dia antes de ambos cometerem suicídio.

Outra imagem de uma celebração Getty Images

Segundo Krause, entre 1934 e 1937, Braun e Hitler nunca estavam em Berlim juntos. A relação se tornou mais sólida no início da Segunda Guerra, quando Braun passou a viver em Berghof, em Obersalzberg. “Não há dúvida de que Hitler a considerava sua noiva. Mas ele não fazia o tipo ciumento”.

Enfim, a razão de Hitler não se casar: “Seu princípio era de que todo homem casado deveria comandar uma vida familiar decente. Isso não era, no entanto, algo que ele poderia oferecer, considerando a enorme quantidade de trabalho com a qual precisava lidar. Ele chegaria sempre tarde da noite em casa, e uma esposa e sua família não teriam nada a ganhar com ele”.

Além disso, relata o ex-guarda-costas, Hitler acreditava que, se não fosse solteiro, não receberia tanto apoio da população – a “onda de entusiasmo” vinha, principalmente, das mulheres. Em uma conversa com Krause, Hitler teria dito que “as mulheres são mais inclinadas a se sentir atraídas por homens solteiros”.

Ainda segundo Krause, apesar do interesse pelas conversas - e apesar de seu apoio à propagandista Leni Riefenstahl, - Hitler mantinha que elas não deviam se envolver com assuntos políticos, uma postura coerente com a visão nazista das mulheres como principalmente mães, com a missão de gerar a “raça superior”.

Quando a guerra estourou, Krause juntou-se à Waffen SS. Essa era a parte da SS responsável por combate, que seriam responsáveis por crimes de guerra, ações de limpeza étnica e a repressão à revolta dos judeus no gueto de Varsóvia, em 1943, ainda que não tenham geralmente se envolvido com os campos de extermínio, trabalho da SS regular. Foi responsável por uma criação importante: o canhão antiaéreo motorizado e blindado Wirbelwind, que daria origem a um tipo de máquina de guerra usado ainda hoje.

Fugiu do Exército Vermelho para e conseguiu se render aos aliados ocidentais. Considerado um mero militar e funcionário de baixa patente, não foi condeando por nada e trabalhou como garçom e decorador de interiores. 

Letícia Yazbek


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