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Porta-voz do Talibã dá entrevista coletiva: 'As mulheres serão muito ativas em nossa sociedade'

O representante do grupo fundamentalista islâmico também falou sobre como sua gestão irá tratar questões de política internacional

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 17/08/2021, às 17h04

Talibã faz comunicado para população
Talibã faz comunicado para população - Reprodução/Vídeo

O Talibã, que passou a controlar o governo do Afeganistão no último domingo, 15, deu nesta terça-feira, 17, sua primeira entrevista coletiva desde a entrada no poder. 

Durante o episódio, que foi repercutido pelo UOL, o grupo fundamentalista islâmico, que possui uma interpretação rígida do Alcorão e das leis islâmicas, respondeu diversas questões a respeito de como pretendem realizar sua gestão. 

Muitas figuras ao redor do mundo manifestaram sua preocupação, por exemplo, em relação aos direitos das mulheres, que foram severamente restringidos no último mandato da milícia. Em relação a isso, o porta-voz dos fundamentalistas respondeu: 

"Vamos permitir que as mulheres trabalhem e estudem dentro de nossas estruturas. As mulheres serão muito ativas em nossa sociedade, dentro de nossa estrutura”, afirmou Zabihullah Mujahid, o representante do Talibã, ainda conforme o UOL. 

Mujahid também expressou o desejo do grupo extremista de pôr um fim ao conflito que já dura décadas. 

“Queremos assegurar que o Afeganistão não seja mais um campo de batalha. Perdoamos todos aqueles que lutaram contra nós, as animosidades acabaram. Não queremos inimigos externos nem internos", disse ele. 

Também segundo o UOL, o Talibã voltou ao poder trazendo um discurso mais “moderado” que de costume, possivelmente para ser reconhecido por outras nações. Da última vez, apenas três países consideraram seu governo legítimo (Arábia Saudita, Emirados Árabes e Paquistão). 

"Não queremos ver o caos em Cabul (...) Mas infelizmente, o governo anterior era tão incompetente que suas forças de segurança não podiam fazer nada para garantir a segurança. Tivemos que entrar em Cabul para garantir a segurança dos moradores", completou Mujahid.

Por fim, o representante dos fundamentalistas comemorou a vitória do grupo em retomar o controle do território afegão. "Após 20 anos de luta emancipamos [o país] e expulsamos os estrangeiros", disse, acrescentando ainda que era um "momento de orgulho para a nação". 

Sobre o domínio 

Durante 1996 e 2001, o Talibã governou o Afeganistão, antes de ser derrubado por uma campanha liderada pelos EUA após os ataques no 11 de setembro. 

Durante este período, jovens foram proibidas de frequentar as escolas e as mulheres proibidas de andar em público sozinhas, apenas acompanhadas de homens e cobrindo o corpo inteiro. Além disso, não podiam trabalhar, estudar ou serem tratadas por médicos do sexo oposto. Aquelas que se recusavam a seguir as ordens eram castigadas e executadas.

No domingo, a ativista paquistanesa e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, também compartilhou suas preocupações no Twitter.

"Nós assistimos em completo choque o Talibã assumindo o controle do Afeganistão. Estou profundamente preocupada com as mulheres, as minorias e os defensores dos direitos humanos. Os poderes globais, regionais e locais devem pedir um cessar-fogo imediato, fornecer ajuda humanitária urgente e proteger refugiados e civis", disse a jovem ativista.

Em 2012, Malala se tornou um símbolo em defesa dos direitos humanos depois que sobreviveu a um tiro na cabeça disparado por um atirador do Talibã no Paquistão.