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Possível descrição da aurora boreal é identificada em texto chinês de 4 a.C.

Documento pode ser o primeiro a registrar o fenômeno óptico na história da humanidade

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 19/04/2022, às 10h15 - Atualizado às 12h40

Montagem mostrando texto antigo à esquerda, e fotografia da aurora boreal à direita
Montagem mostrando texto antigo à esquerda, e fotografia da aurora boreal à direita - Divulgação/ Biblioteca Nacional do Japão/ Pixabay/ GHGilbert

Um famoso documento criado no século 4 a.C. pode conter uma descrição das fantásticas luzes noturnas conhecidas hoje como aurora boreal, conforme concluído por estudo publicado na edição de março do Advances in Space Research

O texto em si faz parte dos Anais do Bambu, artefato conhecido por ser um dos mais antigos escritos da história da China. Ele descreve o período inicial da civilização chinesa, de seu início mitológico até a dinastia Chou.

O trecho responsável por descrever o fenômeno óptico, que ocorre nas regiões polares da Terra, fala de uma "luz de cinco cores" avistada no céu noturno.

“A visibilidade auroral na China indica a ocorrência de uma tempestade geomagnética bastante intensa naquele momento”, avaliou Hisashi Hayakawa, co-autor do estudo, segundo repercutido pelo portal South China Morning Post. 

O acontecimento ainda é contextualizado historicamente: os Anais do Bambu o citam durante o reinado de Zhou de Shang, que durou de 977 a.C ao ano 957 a.C.

Isso significaria que os chineses registraram o evento natural cerca de 300 anos antes dos assírios, que eram conhecidos até então como o primeiro povo a descrever a aurora boreal.