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Prados de ervas com montanhas de açúcar são descobertos em oásis subaquático

Em todo o mundo, quantidade de açúcar liberada pelas plantas é comparável a “32 bilhões de latas de coca”, segundo cientistas

Redação Publicado em 06/05/2022, às 11h56

Cientistas mergulham no oceano para avistar os prados aquáticos
Cientistas mergulham no oceano para avistar os prados aquáticos - Divulgação/HYDRA Marine Sciences GmbH

Cientistas do Instituto Max Planck de Microbiologia Marinha, na Alemanha, se surpreenderam ao descobrir um verdadeiro oásis subaquático com montanhas de açúcar escondidas em prados de ervas marinhas.

Segundo o estudo que descreveu a descoberta, publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution na última segunda-feira, 2, a alta concentração de açúcar pode ser explicada por um processo feito pelas ervas marinhas em sua rizosfera, ou seja, seus solos.

A substância é liberada pelas plantas aquáticas em todo o oceano que, no total, pode chegar entre 0,6 a 1,3 milhão de toneladas do componente, em especial na forma de sacarose. No entanto, a maioria dele é absorvido pelos microorganismos do mar.

“Isso [a quantidade de açúcar liberada] é mais ou menos comparável à quantidade de açúcar em 32 bilhões de latas de coca!”, explicou Manuel Liebeke, chefe do grupo de pesquisa, em nota repercutida pela revista "Galileu".

Ainda que grande parte da substância seja absorvida, algumas ervas marinhas podem excretar compostos fenólicos, que impedem que micróbios consigam decompor o açúcar, resultando nas montanhas descobertas pela pesquisa.

“Vinho tinto, café e frutas estão cheios de compostos fenólicos, e muitas pessoas os tomam como suplementos de saúde”, destacou Maggie Sogin, principal autora do estudo. “O que é menos conhecido é que os fenólicos são antimicrobianos e inibem o metabolismo da maioria dos microrganismos.”

A partir desse conhecimento, é possível perceber que as montanhas de sacarose tem papel importante, pois armazenam grande parte do carbono da Terra. Apenas 1 km quadrado das plantas consegue armazenar quase o dobro do carbono das florestas, por exemplo, o que acontece cerca de 35 vezes mais rápido no mar.