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Homens das cavernas tinham conhecimento complexo de astronomia, indica pesquisa

Animais retratados nas pinturas rupestres de 40 mil anos atrás escondiam desenhos de constelações celestes

Mariana Ribas Publicado em 28/11/2018, às 12h59 - Atualizado às 14h30

 Na caverna de Lascaux
Na caverna de Lascaux - Wikimidia Commons

Animais pintados em cavernas haviam sido caçados e seriam transformados em jantar. Essa, em geral, costuma ser a primeira interpretação das pinturas rupestres de dezenas de milênios no passado. Uma análise liderada por Martin Sweatman, pesquisador da Universidade de Edimburgo, indica que essas mesmas imagens tinham outro significado escondido: elas têm a forma de constelações, o que sugere que os seres humanos pré-históricos tinham um conhecimento complexo de astronomia. Tão complexo que os desenhos parecem indicar a passagem do tempo e até mesmo acontecimentos extraordinários, como a passagem de cometas.

A teoria muda o que se sabe sobre os seres humanos de pelo menos 40 mil anos atrás. Afinal, se eles eram capazes de mapear o céu, certamente tinham condições de navegar distâncias mais longas. "Essa análise provavelmente vai revolucionar a imagem que temos dos povos pré-históricos", afirma Martin Sweatman.

Pintura rupestre da caverna de LascauxReprodução/Alistair Coombs

Publicado no periódico Athens Journal of History, o estudo contou com a colaboração de pesquisadores da Universidade Kent e analisou cavernas de sítios arqueológicos da Turquia, da Espanha, da França e da Alemanha. Nestes locais, as imagens foram registradas ao longo de dezenas de milhares de anos.

Cada uma delas foi datada e a posição das estrelas que aparece no desenho de animais, comparada com uma projeção do céu na mesma época. A conclusão a que os pesquisadores chegaram é que as imagens documentam as mudanças na posição dos astros, o que indica que os desenhistas já teriam percebido que a Terra gira em torno do próprio eixo. "Eles não eram tão diferentes dos seres humanos modernos, afinal", diz o líder do estudo.

Além, disso, os desenhos registram duas quedas de cometas, uma na Turquia, em 11 mil a.C., outra na França, em 15.200 a.C. Possivelmente foram catastróficas para os seres humanos que viviam naquelas regiões, naquela época.