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Presa há um ano e em greve de fome, jornalista chinesa está à beira da morte, afirmam familiares

Zhang Zhan foi condenada a quatro anos de prisão no final de 2020, após cobrir o início da pandemia em Wuhan

Pamela Malva Publicado em 05/11/2021, às 13h00

Ativistas protestando pela liberdade de Zhang Zhan em 2020
Ativistas protestando pela liberdade de Zhang Zhan em 2020 - Getty Images

Em fevereiro de 2020, a jornalista e ex-advogada Zhang Zhan fez polêmicas revelações sobre o combate ao coronavírus em Wuhan, na China. Por filmar a real condição da cidade no começo da pandemia, a mulher acabou sentenciada a quatro anos de prisão e, agora, está perto da morte após declarar uma greve de fome, segundo o UOL.

Morando em Xangai, a jornalista viajou para Wuhan logo que a quarentena foi implementada na cidade e, com isso, capturou imagens exclusivas do combate à pandemia, como a imagem de pacientes instalados nos corredores lotados de um hospital — cenas que revelaram as precárias condições sanitárias da cidade.

Pela exposição dos fatos, Zhang Zhan foi condenada, no final de 2020, a quatro anos de prisão, acusada de "provocar distúrbios da ordem pública". Conforme informações do UOL, essa senteça é comumente atribuída a dissidentes políticos na China.

Uma vez detida, a jornalista iniciou sua greve de fome e, de acordo com seus familiares, vem sendo alimentada à força através de sondas nasogástricas na unidade de detenção em Xangai. Nesse sentido, o irmão da jornalista, Zhang Ju, afirmou, em seu Twitter, que Zhang está muito magra e, por isso, "pode não sobreviver ao inverno".

Fotografia da jornalista chinesa Zhang Zhan / Crédito: Divulgação

 

Diante da atual condição da jornalista, a Anistia Internacional pediu, na última quinta-feira, 4, que Zhang Zhanseja libertada imediatamente, para que ela "termine a greve de fome e receba o tratamento que precisa desesperadamente”.

Logo em seguida, os Repórteres Sem Fronteiras pediram que a comunidade internacional também pressione o governo chinês em prol da libertação da jornalista. Para o grupo, é essencial que Zhang esteja livre "antes que seja tarde demais".

Preocupados, os familiares da jornalista pediram autorização para visitá-la na prisão de Xangai, mas, de acordo com um advogado de Zhang, não receberam qualquer resposta. Dessa forma, pouco se sabe sobre o estado atual da ex-advogada.

Nesta sexta-feira, 5, ao ser questionado sobre o caso, o ministério chinês das Relações Exteriores não divulgou quaisquer novos detalhes sobre Zhang. Wang Wenbin, um porta-voz da diplomacia, por outro lado, afirmou que "a China é um Estado de direito".

"Qualquer pessoa que viole a lei deve ser punida", continuou o representante, em declaração oficial à imprensa. Em seguida, Wenbin ainda pontuou que os apelos favoráveis à libertação de Zhang são "uma manipulação política anti-China".