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Presença de macacos em queimadas revela fato curioso sobre os hominídeos

Em um estudo, pesquisadores estudaram 25 macacos vervet, que se adaptavam em zonas florestais devastadas por incêndios

Vanessa Centamori Publicado em 10/08/2020, às 15h54

Macaco Vervet
Macaco Vervet - Wikimedia Commons

Por muitos anos, cientistas debatem para saber como os ancestrais humanos fizeram o fogo e aprenderam a controlar as chamas. Pensando nisso, um grupo de pesquisadores realizou um estudo com primatas modernos, publicado este mês de agosto no Journal of Evolution

A pesquisa investigou o comportamento dos primatas, segundo informações da Smithsonian Magazine. A publicação conta que foram analisados 25 macacos vervet (Chlorocebus pygerythrus) da Reserva Natural Loskop Dam, da África do Sul, antes, durante e depois de incêndios florestais. 

Os pesquisadores notaram que os primatas tinham conhecimento de que na savana queimada eles teriam menos contato com predadores, como leopardos e outros animais carnívoros. Visto que os macacos vervet usavam das chamas como "estratégia", isso revelou que é possível que os hominídeos antigos também se beneficiassem do mesmo modo. 

Os cientistas acreditam que os ancestrais humanos se aventuraram inicialmente em pastagens sujeitas a incêndios, pelo menos em parte, para evitar predadores. Tal fato explica porque os hominídeos começaram a dominar o fogo: eles viam os incêndios naturais com frequência e puderam observar as labaredas para aprender mais sobre elas. 

Essa hipótese vai de encontro com a teoria dos primatas pirofílicos, que diz que os hominídeos enfrentaram incêndios florestais frequentes há 2 ou 3 milhões de anos. Os ancestrais humanos então se adaptaram às condições das queimadas, levando em conta que elas eram zonas mais seguras e com recursos alimentares ocultos como sementes e tubérculos.