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Presidente da Funai é expulso de assembleia: 'A milícia controla hoje a Funai', diz Ricardo Rao

Marcelo Xavier, presidente da Funai, é expulso em assembleia em Madri; veja vídeo

Redação Publicado em 21/07/2022, às 13h41

Presidente da Funai é expulso de evento internacional em Madri - Divulgação/YouTube/UOL
Presidente da Funai é expulso de evento internacional em Madri - Divulgação/YouTube/UOL

Marcelo Augusto Xavier da Silva, presidente da Funai — Fundação Nacional do Índio, órgão indigenista oficial do Brasil —, foi obrigado a sair durante um evento realizado em Madri após ataques que questionavam sua presença na reunião. Ele estava presente para a 15ª Assembleia Geral da FILAC — Fundo para o Desenvolvimento dos Povos Indígenas da América Latina e Caribe.

O responsável pelas acusações durante o evento realizado em Madri foi Ricardo Rao, um ex-funcionário da Funai, que vive atualmente em Roma. Segundo ele, não havia motivo para Marcelo Xavier estar naquela sala, e o responsabilizou pelas mortes do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira.

Esse homem não pertence aqui", gritou Ricardo Rao durante o evento, enquanto apontava para o presidente da Funai. "Esse homem é um assassino, esse homem é um miliciano. Ele é responsável pela morte de Bruno (Pereira) e Dom Phillips. Você é um miliciano, bandido."

Após a saída de Marcelo Xavier do local, Rao também saiu. No entanto, não ficou claro que o presidente da Funai voltou para a sala posteriormente.

A FILAC, vale acrescentar, não é um órgão da ONU (Organização das Nações Unidas), e foi criado para marcar uma nova relação entre os estados e os povos indígenas, e cumpre 30 anos ainda nessa semana. A adesão do Brasil ao órgão foi assinada pelo presidente Fernando Collor de Mello, na época.

Exílio

Ricardo Rao, manifestante que se pronunciou contra a presença do presidente da Funai na Assembleia Geral da FILAC, não vive mais no Brasil desde novembro de 2019, como informado pela UOL. Na época, quando atuava como agente da Funai no Maranhão, decidiu sair do país após sofrer diversas ameaças de morte, ver companheiros assassinados e ter uma arma apontada para sua cabeça.

Segundo o portal de notícias, ainda, ele não era só alvo de criminosos ambientais, mas também da milícia, além de sofrer com processos administrativos — que serviam para silenciar e constranger os funcionários considerados indesejáveis.

A milícia controla hoje a Funai", disse Ricardo Rao à UOL. "Sempre recebemos ameaças. Bruno recebeu, eu recebi e até minha mãe recebeu. Agora, a diferença é que as ameaças se cumprem. Quem faz a ameaça acha que pode matar."

Sem confiar nas autoridades policiais locais, Rao embarcou para Oslo, capital da Noruega, no fim de novembro de 2019 para buscar asilo, devido as ameaças que sofria. Lá ele recebeu um status provisório e foi hospedado na casa de pastores luteranos.

Dois anos depois, por ter também nacionalidade italiana, Rao passou a se instalar em Roma, onde vive até hoje. Ele ainda conta: "Eu quero voltar um dia. Mas não sei como. Eu tentei fazer barulho antes. Bruno ficou e morreu."


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