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Presidente da OAB compara situação de presídio com a de “campos de concentração nazistas da Segunda Guerra Mundial”

Detentos sofrem com superlotação e são vítimas de uma bactéria infecciosa misteriosa que está desfigurando o corpo deles

Fabio Previdelli Publicado em 23/01/2020, às 10h00

Presidiários da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo
Presidiários da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo - Ascom/OABRR

Após vistoriar a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), na última terça-feira, 21, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Roraima, Ednaldo Vidal, comparou o local e a situação dos detentos com “campos de concentração nazistas da Segunda Guerra Mundial”.

Para Vidal, os casos se assemelham devido a superlotação do local e também pelo fato de presidiários estarem sendo vítimas de uma bactéria infecciosa misteriosa que está desfigurando o corpo deles.

Em nota, a Comissão de Direitos Humanos do Conselho Seccional (CDH) da OAB alegou que foi visitar a penitenciária em razão da gravidade do estado de saúde dos 24 reclusos que foram internados no Hospital Geral de Roraima (HGR).

Hélio Abozaglo, presidente da Comissão, constatou que a penitenciária sofre com superlotações, inclusive, com cativos saudáveis dividindo espaço com detentos que possuem várias doenças — há presos com casos de tuberculose, diabetes, escabiose e outras enfermidades.

“O cheiro fétido é insuportável e o risco de contágio não é somente para os detentos, mas também para os agentes prisionais que arriscam a saúde lidando diariamente com os 2.076 custodiados”, afirmou a OAB. “Com muita dificuldade, dois detentos mostraram aos advogados as hérnias desenvolvidas na parte genital, reclamaram de dores e pediram por atendimento médico”.

Ainda segundo o órgão, existem alas com cerca de 300 detentos acolhidos em uma área que teria a capacidade máxima para 70 pessoas. “Onde muitos dormem (quando dormem) sentados, no chão ou no vaso sanitário, enquanto outros se apertam e se revezam nos cubículos que as celas se tornaram”.

A superlotação é um dos motivos que levou o Ministério Público pedir a interdição do local.