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Presidente turco afirma que irá transformar monumento cristão histórico em mesquita muçulmana

A decisão de Erdogan incomodou a comunidade cristã da Turquia, que alega desrespeito ao local — que é Patrimônio Mundial da UNESCO

Wallacy Ferrari Publicado em 11/07/2020, às 08h59

Fotografia em grande plano do monumento Hagia Sophia
Fotografia em grande plano do monumento Hagia Sophia - Wikimedia Commons

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anunciou na última sexta-feira, 10, que o Hagia Sophia, considerado Patrimônio Mundial da UNESCO na histórica Istambul, seria reaberto como mesquita, usada exclusivamente para o culto muçulmano. O comunicado provocou um intenso debate, com incômodo da comunidade cristã no país e na vizinha Grécia.

O monumento foi construído como uma catedral no Império Bizantino Cristão, mas foi convertido em mesquita com a conquista otomana de Constantinopla, em 1453. Na história recente do país, o espaço era usado como museu desde 1934, respeitando as origens cristãs do local.

Durante a semana, uma corte turca do Conselho de Estado — mais alto tribunal administrativo do país — anulou o status de museu do monumento bizantino do século 6, deixando vago o seu uso. Erdogan não consultou a comunidade cristã para a medida, o que gerou fúria em diversas instituições religiosas da Europa.

A ministra da Cultura, Lina Mendoni, manifestou indignação com a postura do presidente: "O nacionalismo exibido por Erdogan leva seu país a voltar seis séculos”. Em entrevista à Interfax, o porta-voz da Igreja Ortodoxa Russa, Vladmir Legoida, expressou incômodo com a parcialidade religiosa do presidente, alegando que o mesmo ignorou instituições não-muçulmanas: "A preocupação de milhões de cristãos não foi ouvida”.