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Preso que denunciou tortura nas prisões russas diz ter sofrido ameaças: "Vai ser encontrado morto em cela"

Sergey Savelyev divulgou vídeos que supostamente comprovariam a existência de tortura no sistema penitenciário do país

Redação Publicado em 21/10/2021, às 14h17

Sergey Savelyev
Sergey Savelyev - Divulgação / BBC

O bielorusso Sergey Savelyev, que divulgou uma série de vídeos de supostas torturas em prisões da Rússia, declarou ter sofrido ameaças de morte.

Por temer por sua segurança, o homem de 31 anos, que cumpriu pena no território até fevereiro deste ano, solicitou asilo à França, onde se encontra atualmente.

A divulgação de mais de mil vídeos aos quais teve acesso durante sua prisão acabou por gerar inúmeros protestos no país, o que pressionou as autoridades locais a abrir investigações. Além disso, diversos funcionários do alto escalão do sistema penitenciário foram demitidos.

De acordo com o portal de notícias UOL, Savelyev começou a compartilhar os vídeos com ativistas de direitos humanos após sua libertação no mês de fevereiro.

O bielorusso, porém, afirma ter sofrido ameaças quando se encontrava no aeroporto de São Petersburgo no dia em que viajaria para Novosibirsk.

Ele contou à BBC que alguns homens se aproximaram dele e começaram a questioná-lo, dizendo que sabiam de tudo sobre sobre sua correspondência com Vladimir Osechkin, chefe do grupo de defesa dos direitos humanos Gulagu.net.

"Me disseram que estavam me observando há seis meses", disse Savelyev. "Eles ameaçaram me prender por traição por 20 anos." O bielorusso ainda declarou que um dos interrogadores afirmou que ele "morreria muito rapidamente" na prisão.

"Primeiro, você vai confessar tudo, e então você será encontrado morto em uma cela", teria dito o homem.

A única opção de Savelyev, segundo o grupo, era cooperar com a investigação dizer que estaria atuando em favor do Gulagu.net, que seria financiado por estrangeiros com o objetivo de "desacreditar o serviço penitenciário russo". Assim, a promessa era a de que ele seria libertado após quatro anos preso.

No entanto, "a verdadeira escolha era entre a vida e a morte. E escolhi a vida", disse Savelyev.

Sergey então assinou alguns papéis fingindo que iria cooperar com as autoridades, de modo que foi liberado. "Eles provavelmente pensaram que eu não ousaria fugir", disse o rapaz, que pegou um micro-ônibus para Belarus e, de lá, partiu para a França.