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Príncipe gay da Índia relembra terapia de conversão: 'Me submeteram a tratamentos de eletrochoque'

Manvendra Singh Gohil é considerado o primeiro nobre a assumir sua sexualidade e foi submetido a tratamentos abusivos

Isabela Barreiros Publicado em 02/05/2022, às 11h20 - Atualizado em 08/05/2022, às 07h00

O príncipe Manvendra Singh Gohil
O príncipe Manvendra Singh Gohil - Getty Images

Primeiro príncipe abertamente gay da Índia, Manvendra Singh Gohil se manifestou contra a chamada “terapia de conversão” ao falar sobre sua própria experiência com esses tratamentos, que envolvem eletrochoques e outras práticas que buscam uma “cura” para a sua sexualidade. As informações foram repercutidas pela People no final do último mês.

Manvendra Singh Gohil, que se assumiu em 2006, disse ao portal Insider que havia contado aos pais, o Maharaja e Maharani de Rajpipla, que era gay em 2002, o que fez com que eles o levassem a médicos e guias espirituais para “mudar” sua sexualidade.

"Eles [os pais] achavam que era impossível que eu pudesse ser gay porque minha educação cultural foi muito rica. Eles não tinham ideia de que não havia conexão entre a sexualidade de alguém e sua criação", explicou ele ao veículo. 

O príncipe continuou: "Eles abordaram médicos para operar meu cérebro para me endireitar e me submeteram a tratamentos de eletrochoque", acrescentando que se sentiu deprimido e suicida com as terapias as quais foi submetido.

Luta pela proibição 

Segundo ele, é “importante” que pessoas como ele se posicionem sobre a prática para que a prática seja proibida. "Agora temos que lutar por questões como casamento entre pessoas do mesmo sexo, direito à herança, direito à adoção. É um ciclo sem fim", afirmou. "Eu tenho que continuar lutando."

Manvendra teve um casamento arranjado com uma mulher, mas o relacionamento fracassou e ele se casou com seu marido em 2013. Seus pais o renegaram publicamente, como reportou a People.

"No dia em que saí, minhas efígies foram queimadas", relembrou. "Houve muitos protestos, as pessoas saíram às ruas e gritaram slogans dizendo que eu trouxe vergonha e humilhação para a família real e para a cultura da Índia. Houve ameaças de morte e exigências para que eu fosse destituído do meu título."

Ainda assim, o príncipe segue defendendo os direitos LGBTQ+ e apoiando a comunidade. “Minha decisão de converter meu estabelecimento real em um centro comunitário LGBTQA surgiu da minha própria experiência de vida quando fui deserdado pela família”, relatou ele à BBC.

"Isso é exatamente o que acontece com qualquer outra pessoa LGBT na Índia. As pessoas ainda enfrentam muita pressão de suas famílias quando se assumem, são forçadas a se casar ou são expulsas de suas casas. Muitas vezes, elas não têm para onde ir, sem meios para se sustentar”, acrescentou.