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Principia, de Isaac Newton, não era lido apenas por um seleto grupo de pessoas, diz pesquisa

Após mais de uma década, cientistas encontraram 386 exemplares da obra-prima do astrônomo que foram publicados em 1687. "Pode-se supor que, para cada exemplar, haja múltiplos leitores”, declararam

Fabio Previdelli Publicado em 12/11/2020, às 11h43

O primeiro exemplar de Principia, de Isaac Newton
O primeiro exemplar de Principia, de Isaac Newton - Divulgação

Em 1687, Isaac Newton publicava Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, mais conhecido como Principia. Considerada a obra-prima do astrônomo e, provavelmente, o livro de ciências naturais de maior influência já escrito, o exemplar contém as famosas leis de Newton para o movimento dos corpos e fundamentação da mecânica clássica, assim como a lei gravitacional do Universo.  

Por sua genialidade por seu pensamento a frente de seu tempo, surgiu a ideia de que Principia era incompreensível e pouco lido. No entanto, uma pesquisa recente, publicada na revista científica Annals of Science, coloca em xeque esse pensamento, afirmando que havia centenas de exemplares da primeira edição do livro.  

Durante mais de uma década, o professor Mordechai Feingold, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), nos Estados Unidos, e seu ex-aluno Andrej Svorenčík, da Universidade de Mannheim, na Alemanha, rastrearam esses exemplares publicados em 1687.  

Assim, a dupla encontrou 386 deles, e ainda estimam que possa existir outras 200 cópias sem registros e que estão guardadas em coleções públicas e privadas. "Nos sentimos como Sherlock Holmes", declarou Feingold, em comunicado

Exemplar da primeira edição com anotações do autor para a segunda edição / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ao inspecionarem notas rabiscadas nas margens de algumas obras, marcas de propriedade, cartas relacionadas e outros documentos, eles concluíram que Principia foi mais amplamente lido e compreendido do que se pensava anteriormente.  

"Uma das constatações que tivemos é que a transmissão das ideias de Principia foi muito mais rápida e aberta do que pensávamos, e isso terá implicações no trabalho futuro que nós e outros faremos sobre esse assunto", diz Mordechai.  

"No século 18, as ideias newtonianas transcenderam a própria ciência. A influência de Newton, assim como a de Charles Darwin e Albert Einstein, exerceu um papel considerável em muitos outros aspectos da vida, e foi isso que fez dele uma figura tão canônica”. 

Segundo historiadores, exemplares da primeira edição da obra de Newton podem valer entre mais de 1,5 milhão e 16,2 milhões de reais em casas de leilões e no mercado paralelo. Além disso, a dupla acredita na existência de 600 a 750 cópias da edição de 1687.  

"Pode-se supor que, para cada exemplar, haja múltiplos leitores. Não é como hoje, em que você compra um livro e é o único a lê-lo. E aí a gente pode buscar uma troca de ideias entre as pessoas que compartilham exemplares. Você começa a juntar as peças e resolver o quebra-cabeça", disse o professor sobre a ideia de que os escritos de Newton eram pouco lidos ou incompreensíveis.