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Professor de Harvard cria projeto para procurar, cientificamente, indícios de extraterrestres

Abraham Loeb elaborou o Projeto Galileo, que tem como objetivo entender objetos interestelares de natureza anômala

Isabela Barreiros, sob supervisão de Alana Sousa Publicado em 28/07/2021, às 12h00

O objeto Oumuamua
O objeto Oumuamua - Observatório Europeu do Sul (ESO) via Wikimedia Commons

Na última segunda-feira, 26, uma entrevista coletiva foi realizada virtualmente para que Abraham Loeb, professor do Departamento de Astronomia da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, pudesse dar detalhes sobre um novo projeto, idealizado por ele, que tem como objetivo encontrar evidências de vida alienígena.

Até agora, o Projeto Galileo, como foi batizado, já recebeu investimento de US$ 1,75 bilhão de iniciativas privadas. E, segundo Loeb, a equipe formada por 13 cientistas tentará compreender a natureza de objetos que entram no nosso Sistema Solar, que possuem características anômalas.

O astrofísico israelense explicou que as pesquisas serão realizadas de maneira sistemática e científica para “entender e esclarecer tudo isso por meio de análises científicas transparentes de dados que nós mesmos iremos coletar”.

Para o professor de Harvard, o projeto é importante porque está em consonância com outras pesquisas que já sugeriram a existência de exoplanetas habitáveis. “A ciência não deveria rejeitar dogmaticamente possíveis explicações extraterrestres por causa de estigmas sociais ou preferências culturais”, disse o pesquisador.

O Projeto Galileo também é a continuação dos estudos de Avi, como o cientista é conhecido, relacionados a evidências de vida extraterrestre. Ele foi o primeiro a propor que o objeto Oumuamua poderia ser uma sonda operacional criada por alienígenas devido às suas características incomuns.

A hipótese de Loeb foi publicada no jornal científico Astrophysical Journal Letters e considerada controversa, embora o Oumuamua tenha sido o primeiro objeto identificado por humanos a adentrar o nosso Sistema Solar, fora asteroides e cometas.

Durante a entrevista coletiva, o astrofísico também relembrou outro episódio que aconteceu em junho deste ano. Segundo ele, o Pentágono dos Estados Unidos entregou ao Congresso um relatório sobre fenômenos aéreos não identificados. 

“O relatório reconhece que há objetos provavelmente reais, mas cuja natureza não está clara. Essa é uma declaração bastante incomum por parte do governo, que é a organização mais conservadora que eu conheço”, disse Avi.

Agora, o novo projeto irá investigar aspectos geralmente ignorados pela ciência e, para Avi, suas descobertas podem ser tão importantes quanto as feitas pelo astrônomo Galileu Galilei.

Ele concluiu: “A importância de achados rigorosamente validados por evidências científicas de tecnologia extraterrestre pode ter um impacto similar na astronomia e na nossa visão do mundo ao que teve o uso pioneiro de telescópios por Galileu para observações astronômicas”.