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Professores são orientados a mostrarem livros que se "opõem" ao Holocausto

Caso aconteceu em uma escola no Texas

Fabio Previdelli Publicado em 16/10/2021, às 08h42

Prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz
Prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz - Getty Images

A escola Carroll Independent School District, que fica na cidade americana de Southlake, no Texas, foi alvo de uma enorme polêmica essa semana. Afinal de contas, por lá, a diretora do centro de ensino informou aos professores, em uma reunião, que caso eles apresentem aos alunos algum livro sobre o Holocausto, eles também deveriam mostrar obras com uma perspectiva oposta.  

O pedido foi feito por Gina Peddy durante um treinamento que ela teve com os professores, onde mostrava quais livros os docentes podem ter nas bibliotecas das salas de aula. Obviamente, o caso gerou enorme polêmica entre os profissionais.  

Tudo teria começado, segundo explica matéria publicada pela NBC, quando o pai de um dos estudantes reclamou que um dos professores usou um livro antirracista em sua aula. Segundo as explicações de Peddy, uma lei estadual obriga os educadores a mostrarem os diversos ‘pontos de vista’ quando vão debater um assunto polêmico.  

“Garantam que, se vocês tiverem um livro sobre o Holocausto, vocês tenham também um que se opõe, que mostra outra perspectiva”, revela um áudio gravado pelos docentes que foi divulgado pela NBC.  

“Como você se opõe ao Holocausto?”, questionou um professor. A resposta da diretora foi um apenas: “Acredite em mim, isso já apareceu”. Karen Fitzgerald, uma porta-voz da escola, disse que o pedido foi feito para tentar ajudar os profissionais de ensino seguirem uma lei estadual do Texas.  

“Nosso propósito é apoiar nossos professores e garantir que eles tenham desenvolvimento profissionais, recursos e o material que precisam. Nosso distrito não mandou e não vai mandar livros serem retirados”, declarou.  

Entretanto, um porta-voz da Associação de Professores do Estado do Texas, Clay Robinson, disse que é inadmissível que o pedido com teor negacionista seja feito aos educadores. Robinson também negou que haja tal lei no estado. 

Sob condição de anonimato, seis docentes deram declarações à emissora americana. Todos declararam estar com medo de usarem livros durante suas aulas.  

Com o ocorrido ganhando uma enorme repercussão, o superintendente de escolas, Lane Lendbetter, emitiu uma nota se desculpando pelo episódio. “Como um distrito, nós trabalhamos para dar claridade às nossas expectativas sobre os professores e pedimos desculpas mais uma vez pela confusão que causamos”. 

"Durante as conversas com os professores no encontro de semana passa, o comentário feito não teve a intensão de dizer que o Holocausto não foi nada menos do que um evento horrível na história. Adicionalmente, nós reconhecemos que não há dois lados do Holocausto”, completa.