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Projeto revela história desconhecida de lugares que exploraram escravos no País de Gales

Pontos históricos passaram a apresentar código QR, que ao ser identificado por smartphones, exibindo a história do local

Giovanna de Matteo Publicado em 26/10/2020, às 11h32

Código QR em ruínas da Maesteg House, em Kilvey Hill, Swansea
Código QR em ruínas da Maesteg House, em Kilvey Hill, Swansea - Divulgação/HISTORYPOINTS.ORG

O History Points organizou um projeto que tem como objetivo ajudar o público a aprender sobre os lugares de memória no País de Gales. Ele consiste em colocar placas com códigos QR em áreas históricas, que podem ser decodificados por smartphones, mostrando a história e os eventos que ocorreram naquele lugar.

Os dois últimos lugares que receberam essas placas estão ligados ao comércio oculto de escravos no país, que até então não eram conhecidos: uma antiga mansão em Swansea, chamada de Maesteg House, e os restos de uma casa abandonada, em um resort à beira-mar de Denbighshire.

A antiga mansão do barão Pascoe St Leger Grenfell, em Swansea, foi fruto da exploração de escravos na Jamaica. "Pascoe St Leger Grenfell teve uma grande influência no desenvolvimento de Swansea e foi elogiado por seu modelo de habitação para os trabalhadores locais", afirmou Rhodri Clark, editor do projeto HistoryPoints.org. "No entanto, suas centenas de trabalhadores na distante Jamaica não receberam nada e nenhuma compensação quando foram finalmente libertados da escravidão".

O local onde se encontram as ruínas da casa agora exibe uma placa com um código QR, que revela detalhes da história de sua construção, que foi escondida por anos, além de apresentar a função que Grenfell teve na escravidão.

Já ao norte do País de Gales, um vigário e sua família deixaram em segredo o seu passado. O reverendo Benjamin Winston vivia como pároco em Kent, quando mudou seu nome para poder herdar a propriedade e os escravos de seu avô, na Dominica.

Tempos depois, ele residiu em uma casa chamada Bodannerch, que hoje se mistura com um resort à beira-mar. Seu filho, Thomas, se tornou o primeiro chefe da estação ferroviária da cidade, e virou celebridade local. Mas a verdade sobre as plantações e 179 escravos que foram mantidos na família mesmo após a abolição da escravidão pela Grã-Bretanha ainda era oculta.

Em trabalho em conjunto, o History Points e o Centro para o Estudo dos Legados, revelaram os mistérios por trás da propriedade, que agora também recebe uma placa com código QR.

A casa de um ex-vigário em Rhyl, Denbighshire, exibe Código QR / HISTORYPOINTS.ORG

 

"Estamos orgulhosos de ter salvado este pedaço da herança da família em Rhyl, para as gerações futuras. É maravilhoso que as pessoas agora possam ler a história fascinante de nossa casa enquanto passam", disse Christine Johnson, que salvou e restaurou cerca de um terço da área ao lado de seu marido.

Rachel Lang, do centro de estudos, comentou o projeto: "O legado da escravidão colonial está ao nosso redor, desde as casas construídas com os rendimentos da propriedade de escravos até os desafios que enfrentamos hoje para superar as políticas racistas profundamente enraizadas que defendemos por tanto tempo... Esta é uma história pela qual todos fomos moldados, embora de forma desigual".