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Pronto desde 2019, filme sobre Marighella ganha nova data de estreia no Brasil

Longa que conta a trajetória de guerrilheiro comunista recebeu ótima crítica no exterior

Fabio Previdelli Publicado em 06/10/2021, às 12h56

Cena do filme Marighella
Cena do filme Marighella - Divulgação / Globo Filmes

Marcando a estreia de Wagner Moura como diretor, o filme Marighella, que conta a parte final da vida do guerrilheiro baiano Carlos Marighella, tido como como inimigo número um da ditadura militar brasileira, foi exibido pela primeira vez no Festival de Berlim, em 2019. 

A distribuição do longa nos cinemas brasileiros estava prevista para ocorrer em novembro do mesmo ano, mas acabou sendo adiada por conta de divergências com normas da Ancine, algo que aconteceu logo após o presidente Jair Bolsonaro criticar a produção, como aponta o Terra.  

A nova data para a exibição ainda sofreu outros adiamentos, em virtude, principalmente, da pandemia do novo coronavírus. Porém, nessa semana, a O2 Filmes anunciou em suas redes sociais que Marighella chegará às telonas brasileiras o dia 4 de novembro.  

A data foi escolhida para aproveitar a retomada do circuito cinematográfico pós pandemia, explicou o produtor Fernando Meirelles à Folha de São Paulo. O filme é protagonizado por Seu Jorge e ainda conta no elenco com nomes como Adriana EstevesBruno Gagliasso, Humberto CarrãoHerson Capri.  

Aprovação de 88%

A cinebiografia ‘Marighella‘, que trata sobre a vida do guerrilheiro tido como o inimigo número um da ditadura militar brasileira, estreou recentemente nos cinemas ao redor do mundo e conquistou 88% de aprovação no Rotten Tomatoes. As informações são do portal Cinepop.

Segundo a fonte, o filme dirigido por Wagner Moura recebeu oito avaliações e foi muito elogiado por grande parte da imprensa especializada, a qualidade fílmica e a urgência narrativa da obra foram ressaltadas.

Entretanto, houve críticas que acusaram o longa de não ser “ético” e imparcial. Após diversos adiamentos, a estreia no Brasil ocorrerá mais tarde, no dia 4 de novembro.

Devika Girish, crítica do New York Times, foi uma das personalidades que ressaltaram aspectos negativos da obra. “À medida que as tragédias aumentam, o filme de Moura torna-se um lamento – não tanto sobre Marighella, mas sobre um idealismo consumido pelos jogos de Pirro de regimes sujos”, declarou.

“'Marighella' não está interessado em pesar a ética, preferindo um retrato carregado de testosterona da insurreição armada como um caminho glorioso para o martírio”, considerou Jay Weissberg, da Variety.

Por outro lado, Stephen Dalton, do Hollywood Reporter destacou a qualidade do elenco: “Depois de aceitar sua visão de mundo binária nós-e-eles, Marighella funciona bem como uma estreia emocionante e altamente segura, com um elenco incrível em seu coração”.

Para Jonathan Romney, do Screen International, trata-se de "um filme urgente em seu compromisso e intensidade cinematográfica, e dificilmente poderia ser mais oportuno.”

"Raivoso e brutalmente necessário para o Brasil de hoje, Marighella é montado com frieza e confiança pelo verde [Wagner] Moura”, afirmou Rhys Handley, do One Room With A View.