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Mais lidas: Putin quer dividir Ucrânia em duas como as Coreias, afirma chefe de inteligência

‘É uma tentativa de criar as Coreias do Norte e do Sul na Ucrânia’, declarou o general Kyrylo Budanov, que previu a invasão russa já em novembro

Redação Publicado em 28/03/2022, às 09h54 - Atualizado em 02/04/2022, às 08h00

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Imagem ilustrativa - Getty Images

O presidente russo Vladimir Putin está tentando dividir a Ucrânia em duas, em um cenário “coreano” de divisão pós-guerra para o país o qual invadiu há um mês, afirmou o chefe da inteligência militar ucraniano.

Segundo o general Kyrylo Budanov, que previu a invasão da Rússia à nação já em novembro, é possível que aconteça uma sangrenta guerra de guerrilhas, um plano pensado por Putin a partir da fracassada tentativa de tomar rapidamente a capital, Kiev, e derrubar o governo de Volodymyr Zelensky.

Budanov fez a previsão após uma declaração de Leonid Pasechnik, líder da autoproclamada República Popular de Luhansk no leste da Ucrânia. Ele disse: “Acho que em um futuro próximo um referendo será realizado no território da república, durante o qual o povo… sua opinião sobre a adesão à Federação Russa”.

Para o general, “é uma tentativa de criar as Coreias do Norte e do Sul na Ucrânia". “Putin já está mudando as principais direções operacionais — para o sul e para o leste. Há razões para acreditar que ele está considerando um 'cenário coreano' [para a Ucrânia]”, afirmou.

“Ou seja, tentar impor uma linha divisória entre as regiões desocupadas e ocupadas do nosso país. Na verdade, é uma tentativa de criar a Coreia do Norte e a Coreia do Sul na Ucrânia. Afinal, ele definitivamente não é capaz de engolir o país inteiro”, acrescentou.

As regiões de Luhansk e Donetsk haviam sido reconhecidas como repúblicas auto proclamadas por Putin antes da guerra. Agora, segundo Budanov, deverá haver uma tentativa de unir os “territórios ocupados em uma única entidade quase estatal, que se oporá à Ucrânia independente”.

Ele continuou: “Já estamos vendo tentativas de criar autoridades 'paralelas' nos territórios ocupados e forçar as pessoas a desistir da hryvnia [moeda nacional da Ucrânia]”, segundo reportou o jornal The Guardian. 

“Eles podem querer negociar em nível internacional. No entanto, a resistência e os protestos dos nossos cidadãos nos territórios ocupados, os contra-ataques das forças armadas e a libertação gradual — complicam significativamente a implementação dos planos do inimigo”, explicou.

“Além disso, a temporada do total safári de guerrilha ucraniano começará em breve. Então restará um cenário relevante para os russos — como sobreviver”, completou.