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Quase 2.000 linchamentos foram cometidos contra negros na década de 1860, afirma relatório

Novo documento sobre o racismo no país revelou casos desconhecidos após a abolição da escravidão

André Nogueira Publicado em 17/06/2020, às 11h17

Ataque racista na Geórgia
Ataque racista na Geórgia - Wikimedia Commons

A Equal Justice Iniciative, organização nos EUA que fundou um memorial pelas vítimas de linchamentos racistas no país, lançou um novo documento chamado Reconstrução na América, que reporta 2.000 linchamentos contra negros ocorridos entre 1865 e 1876. A instituição já havia divulgado números que chegavam a 6.500 atos, entre 1865 e 1950.

Um detalhe que foi destacado pelos responsáveis pelo documento é que o período destacado tem ligação direta com momento de pós-abolição da escravidão nos EUA. O relatório esclarece que o racismo ainda era uma questão operante no país. Segundo o documento, 34 desses linchamentos nos anos 1860 foram em massa.

Existem, por exemplo, o relato da morte por espancamento de mais de 200 negros na Louisiana que ocorreram em dias seguidos, quando a participação de afroamericanos nas eleições criou ira entre racistas.

"Não podemos entender nosso momento atual sem reconhecer os danos duradouros causados ​​por permitir que a supremacia branca e a hierarquia racial prevaleçam durante a reconstrução", afirmou Bryan Stevenson, fundador da Iniciativa, em comunicado divulgado com o relatório.

"Mostra uma imagem assustadora e devastadora de um período de ataques mortais que rendeu milhares de vítimas documentadas e aterrorizou comunidades negras do sul com atos quase diários de linchamento e agressão", coloca o documento. Este relatório é fruto de anos de trabalho em arquivos por parte de seções estaduais dessa organização.