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Rastros da escravidão: esqueletos africanos de 500 anos são identificados por arqueólogos

Para os pesquisadores, três dos restos analisados podem pertencer aos primeiros grupos de escravos, que vieram para a América

Penélope Coelho Publicado em 01/05/2020, às 12h54

Imagem dos crânios encontrados na Cidade do México
Imagem dos crânios encontrados na Cidade do México - Divulgação

No final da década de 1980, trabalhadores que escavavam uma nova linha de metrô na Cidade do México, se depararam com uma impressionante vala comum, que estava escondida há anos.

Documentos históricos comprovam que esse local já havia sido uma espécie de hospital colonial construído entre os anos 1529 e 1531. Dos diversos esqueletos encontrados ali, três chamaram a atenção dos pesquisadores.

De acordo com uma pesquisa divulgada pela revista científica, ScienceMag, após várias análises nesses fósseis, estudiosos descobriram que os DNA’s correspondiam à escravos africanos, possivelmente o primeiro grupo que veio para a América.

Análises feitas a partir da extração de amostras de código genético e exames realizados em isótopos químicos contidos nos dentes das caveiras, revelaram que três restos estudados correspondiam à pessoas advindas da África Ocidental.

Essa conclusão se deu por diversos motivos, como informações sobre os alimentos consumidos pelos homens, que apontaram para ecossistemas típicos da África. Além dos traumas físicos que os três esqueletos apresentaram.

Aparentemente, eles tinham menos de 30 anos quando faleceram. Uma das caveiras apresentou até sinais de tiros, enquanto outra indicava marcas de trabalho físico exaustivo e uma fratura em sua perna, que não teria sido cicatrizada da forma correta.

Um dos homens analisados continha sinais do vírus da hepatite B e sífilis em seu organismo, doenças provavelmente contraídas durante a viagem no navio negreiro. Contudo, todos os homens tinham algo em comum: aspectos fortes de desnutrição e anemia.

As causas da morte dos três possíveis escravos ainda são um mistério. Sabe-se que eles foram enterrados em um cemitério do hospital em uma vala comum, durante uma epidemia de varíola ou sarampo. Porém, os pesquisadores não encontraram vestígios dessas doenças nos DNA’s analisados.