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Reféns durante seis dias: O insólito assalto ao banco que originou o termo Síndrome de Estocolmo

Em 1973, assaltantes fizeram reféns num banco em Estocolmo, desenvolvendo uma relação bizarra com as vítimas

Giovanna Gomes Publicado em 28/10/2020, às 15h54

Olsson rendido
Olsson rendido - Reprodução

Em 1973 um inusitado incidente ocorreu em Estocolmo, na Suécia. Aconteceu que no dia 23 de agosto, Jan-Erik Olsson, conhecido como Janne, entrou na filial do Kreditbanken na Praça de Norrmalmstorg encapuzado, com explosivos e uma metralhadora em mãos. “Para o chão, agora começa a festa”, gritou Olsson para os funcionários que se encontravam no local.

O que aconteceria em seguida fez com que o mundo tomasse conhecimento de uma nova síndrome, à época desconhecida, revelada em meio a relatos insanos. 

O sequestro

Após entrar no banco, Olsson fez três pessoas reféns e pediu à polícia três milhões de coroas suecas, um carro e possibilidade de sair do país. Além disso, exigiu que Clark Olofsson, um dos mais famosos criminosos da Suécia, que havia conhecido enquanto estava na prisão, fosse levado para o banco

A polícia concordou em levá-lo ao local e assim o fez. Após a chegada de Olofsson, uma quarta pessoa que trabalhava no estabelecimento foi descoberta e feita refém. Os funcionários permaneceram no local por seis dias. Um verdadeiro horror. 

No entanto, o que mais chamou a atenção de todos que souberam do crime após o ocorrido foi que, bandidos e reféns estabeleceram laços afetivos e passaram os dias jogando baralho. Isso mesmo.

Kristin Enmark, que tinha 23 anos na época, era a porta-voz dos reféns e conversava com o primeiro-ministro Olof Palme por telefone. No entanto, Enmark defendia “Janne”, chegando até mesmo a afirmar que confiava plenamente nele a ponto de viajar ao redor do mundo com os criminosos. Entretanto, a situação ficaria ainda mais insólita.

No terceiro dia do sequestro, os policiais conseguiram fazer um buraco no andar de cima do banco, de modo que os criminosos ameaçaram amarrar os reféns. Mais um ponto negativo para as autoridades. Durante a operação, um policial foi baleado na mão e no rosto. Um fracasso.

Reféns durante o sequestro /Crédito: Divulgação

 

“Nunca achei que Janne fosse atirar. Mas claro que tinha medo de morrer. Não sabíamos o que a polícia pensava em fazer”, disse Birgitta Lundblad em um documentário produzido por uma rede de TV pública do país.

Liberdade e reação dos reféns

No sexto e último dia de sequestro, os políciais lançaram gás lacrimogêneo no local, de modo que os assaltantes se renderam. Os reféns, no entanto, inacreditavelmente se recusaram a deixar o local antes de Olsson e Olofsson. Na época, explicaram que tinham medo de que eles fossem punidos.

Contudo, não foi a parte mais bizarra de todo o episódio. Os reféns se despediram de seus sequestradores com calorosos abraços.

Desfecho do caso

Assim, o caso foi considerado um transtorno psicológico que se desenvolve quando a vítima tenta conquistar a simpatia do sequestrador ou se identificar com ele. Esse transtorno ficou conhecido como “Síndrome de Estocolmo”, nome dado pelo criminologista Nils Berejot, o qual colaborou com a polícia durante o sequestro. 

Olsson foi condenado a 10 anos de prisão. Segundo o criminoso, em entrevista à agência TT, ele ainda teria recebido visitas de dois reféns na prisão. Porém, Clark Olofsson, por ter alegado ter sido mais um refém, foi absolvido em segunda instância.

Dois dos reféns continuaram a trabalhar no banco, enquanto outra estudou psicoterapia e a quarta vítima nunca mais foi vista publicamente.


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