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Notícias / Paleontologia

Região próxima à Muralha da China revela fósseis de 120 milhões de anos

Estudo apontou duas espécies desconhecidas até então pela ciência que viveram durante a época dos dinossauros

Isabela Barreiros Publicado em 21/02/2022, às 11h29

Ilustração dos pássaros que viveram há 120 milhões de anos - Divulgação/Cindy Joli, Julio Francisco Garza Lorenzo e René Dávila Rodríguez
Ilustração dos pássaros que viveram há 120 milhões de anos - Divulgação/Cindy Joli, Julio Francisco Garza Lorenzo e René Dávila Rodríguez

Paleontólogos se depararam com fósseis de pássaros que viveram na região próxima a onde hoje está o pico Oeste da Muralha da China há mais de 120 milhões de anos, período em que os dinossauros também habitaram o território chinês.

Foram encontradas mais de 100 evidências fósseis ao longo das últimas duas décadas, mas apenas seis espécimes foram examinados e duas novas espécies descritas pelos pesquisadores da China e dos Estados Unidos, especialmente em decorrência da dificuldade de identificá-los.

Em nota, a principal autora do estudo, Jingmai O’Connor, curadora associada de paleontologia de vertebrados do Field Museum de Chicago, nos EUA, afirmou que a pesquisa “foi um processo longo e meticuloso para descobrir o que eram essas coisas”.

Mas esses novos espécimes incluem duas novas espécies que aumentam nosso conhecimento sobre a fauna de aves do Cretáceo, e encontramos combinações de características dentárias que nunca vimos em nenhum outro dinossauro”, completou.

As investigações, que foram publicadas na revista científica Journal of Systematics and Evolution, focou no estudo dos crânios e pescoços dos pássaros encontrados no local, que são considerados raros vestígios, como reportou a revista Galileu. 

Foi possível perceber que entre os seis crânios analisados, dois eram de espécies e gêneros não conhecidos pela ciência, batizados de Meemannavis ductrix — em referência à paleontóloga chinesa Meemann Chang — e Brevidentavis zhangi, cuja primeira palavra significa “o pássaro de dentes curtos”.

“Brevidentavis é um pássaro ornituromorfo com dentes, e em ornituromorfos com dentes, há um pequeno osso na frente da mandíbula chamado pré-dentário, onde ficaria o queixo se os pássaros tivessem queixo”, ressaltou O’Connor.

“Em estudo anterior, pudemos dizer que o pré-dentário era capaz de ser movido e que teria sido inervado – Brevidentavis não seria apenas capaz de mover seu pré-dentário, ele teria sido capaz de sentir através dele”, explicou a pesquisadora.

O’Connor apontou para uma hipótese sugerida pela pesquisa: “Poderia tê-lo ajudado a detectar presas. Podemos levantar a hipótese de que esses pássaros dentados tinham pequenos bicos com algum tipo de pinça móvel na ponta de suas mandíbulas na frente dos dentes.”