Notícias » Arte

Reino Unido: Quadro do século 17 não poderá ser exportado

A pintura apresenta duas mulheres, uma branca e outra negra, em posição de igualdade, o que a coloca como “extremamente rara”

Isabela Barreiros Publicado em 13/12/2021, às 08h06

O quadro “Pintura Alegórica de Duas Senhoras, Escola de Inglês”
O quadro “Pintura Alegórica de Duas Senhoras, Escola de Inglês” - Divulgação/Governo do Reino Unido

Um retrato do século 17 que apresenta duas mulheres, uma branca e outra negra, em posição de igualdade, considerado uma raridade para a época, não poderá ser exportado para que não corra o risco de deixar o Reino Unido.

A proibição de exportação é temporária, segundo um comunicado do Departamento de Digital, Cultura, Mídia e Esporte (DCMS), que classificou a pintura como “extremamente rara”.

Ela deve durar até 9 de março de 2022. A partir dessa data, o quadro poderá sair do país, a não ser que ele seja vendido para algum colecionador do Reino Unido e permaneça na coleção particular em questão.

Avaliado em R$ 1.732.729,61, o retrato é extremamente importante porque foi feito de maneira muito diferente com que estamos habituados à arte do período. Na década de 1650, não era comum que babás negras fossem representadas em pé de igualdade aos seus companheiros brancos.

Mas, na obra, intitulada “Pintura Alegórica de Duas Senhoras, Escola de Inglês”, as duas mulheres são retratadas com roupas, maquiagem, cabelos e acessórios similares, em contraposição à subordinação geralmente observada na arte da época.

A nota do DCMS ressalta que os aspectos notados levantam um “importante debate sobre raça e gênero durante o período”, o que foi reafirmado pelo ministro das Artes do Reino Unido, Stephen Parkinson, conhecido como Lord Parkinson de Whitley Bay.

“Esta pintura fascinante tem muito a nos ensinar sobre a Inglaterra no século 17, incluindo nas áreas importantes de raça e gênero, que continuam a atrair atenção e pesquisa hoje”, afirmou Parkinson.

Ele continuou: “Esta pintura anônima é uma grande raridade na arte britânica, como uma obra de meados do século 17 que retrata uma mulher negra e uma mulher branca em igualdade de status”.

“Embora não seja distinto artisticamente, o imaginário relaciona-se de maneiras fascinantes aos estereótipos contemporâneos de mulheres, moda e, por meio da justaposição das figuras, raça”, completou.