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Relato inédito de espião britânico muda história do golpe iraniano de 1953

Um depoimento antes nunca divulgado do oficial Norman Darbyshire, veio à tona por meio do documentário Coup 53, que será lançado na próxima quarta, 19, no 67º aniversário do golpe

Vanessa Centamori Publicado em 17/08/2020, às 12h13

Soldados cercam o parlamento iraniano em Teerã, durante o golpe de 1953
Soldados cercam o parlamento iraniano em Teerã, durante o golpe de 1953 - Wikimedia Commons

Quase 67 anos depois do golpe de estado no Irã em 1953, um relato do espião britânico Norman Darbyshire, que comandou a operação do envolvimento da Grã-Bretanha com os golpistas, finalmente veio à público.

O depoimento do oficial foi divulgado por meio do documentário Coup 53, que será lançado na próxima quarta, 19 de agosto — data que marca o 67º aniversário do concluio. Originalmente, o relato do recruta fazia parte dos arquivos descartados de uma entrevista realizada para o filme End of Empire, de 1985. 

O golpe de 1953 derrubou o primeiro-ministro eleito no Irã, Mohammad Mossadegh, para restaurar no poder o Maomé Reza Pálavi. A agência britânica de inteligência MI6 — a qual Darbyshire fazia parte — recrutou agentes e subornou membros do parlamento iraniano com notas secretas para o sucesso do golpe. 

“O plano envolveria a apreensão de pontos-chave na cidade pelas unidades que pensávamos serem leais ao xá… apreensão da estação de rádio etc… o plano clássico”, disse Norman Darbyshire, segundo o depoimento.

Apesar disso, o governo do Reino Unido não admitiu o papel empregado pelos britânicos no golpe. Em resumo, Darbyshire contou no relato que teve apoio da CIA e revelou o principal motivo pelo qual o MI6 queria se livrar de Mossadegh: segundo o espião, era porque os agentes de espionagem acreditavam que o governo do Irã estava sob influência soviética.  

“Eu realmente acredito nisso porque Mossadegh era um personagem bastante fraco”, disse o oficial de inteligência britânico,. “(...) Pensamos que ele seria empurrado pelos comunistas no longo prazo”. O golpe, dessa maneira, teve sucesso em 19 de agosto de 1953 e Mossadegh foi levado a julgamento e mantido em prisão domiciliar até sua morte, 14 anos depois.