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Representante de Francisco no México reconhece que Igreja acobertou casos de abuso sexual

"Penso seriamente que houve pessoas que acobertaram com más intenções”, afirmou Franco Coppola

Fabio Previdelli Publicado em 20/05/2021, às 12h32

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Imagem ilustrativa - Getty Images

Em entrevista à agência EFE na última quarta-feira, 19, Franco Coppola, representante do papa Francisco no México, admitiu que, durante anos, casos de abusos foram “acobertados” por membros da Igreja mexicana.  

"Penso seriamente que houve pessoas que acobertaram com más intenções. Quero pensar que também houve pessoas que acobertaram sem se dar conta da gravidade de um gesto", afirmou Coppola.  

Apesar disso, o representante do papa informou que “já existem processos em curso”, que serão responsáveis por encontrar essa “rede de acobertamentos” que, entre outros religiosos, protegeu o fundador da Legião de Cristo, Marcial Maciel — acusado de abuso sexual contra membros da congregação e seus discípulos, como relembra matéria publicada pela equipe do site do Aventuras na História

Franco Coppola ainda explicou que começou a se deparar com a “situação de abuso” depois que chegou ao México, no final de 2016, onde atua com núncio apostólico. Segundo explica, antes disso, nos país por onde passou, não teve "nenhuma oportunidade de se deparar com tal caso ou pensar tal coisa". 

"É uma tragédia terrível da qual talvez não tivéssemos tido conhecimento. Sempre que me encontro com as vítimas, percebo o quanto o que o papa Francisco disse é verdade, que (o abuso) é um assassinato psicológico", completou. 

Como aponta matéria do UOL, dados da própria Igreja mexicana mostram que 271 clérigos foram acusados por abusar de crianças apenas no período dos últimos dez anos. Até então, 103 foram dispensados, 123 ainda aguarda uma conclusão do processo e os 45 restantes não foram suspensos.