Resenha: “365 dias que mudaram o Brasil” traça um vasto painel da história do país

Com linguagem simples e cativante, Valentina Nunes relata um acontecimento marcante para cada dia do ano

quinta 29 novembro, 2018
Os rastros do massacre
Os rastros do massacre Foto:Reprodução

Em 2 de outubro de 1992, véspera das eleições para prefeito, aconteceu o maior massacre em uma prisão na história do país. Uma ação que não seguiu nenhum planejamento prévio e deixou 111 presos mortos.

Os presos sobreviventes foram removidos para o pátio interno, onde se via uma multidão de homens nus sentados e rodeados por cães e policiais. Às 20h, começou a operação de retorno dos prisioneiros às celas, divididos em grupos de dez – alguns deles carregando corpos de colegas. São Paulo foi palco do massacre do Carandiru.

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O episódio resultou no maior julgamento da história do Brasil, mas apenas uma pessoa foi condenada, em 2001: o coronel Ubiratan Guimarães, que se elegeu deputado estadual por São Paulo no ano seguinte e morreu em 2006.

Entre 2013 e 2014, 74 policiais foram condenados em um longo processo. Em setembro de 2016, o Tribunal de Justiça anulou essas condenações. A tragédia virou tema de muitos livros e até filme. Agora, a obra 365 dias que mudaram o Brasil, de Valentina Nunes, relata esse e muitos outros acontecimentos marcantes.

Ao separar os capítulos por meses, a autora escolhe os dias e anos mais importantes, de diferentes momentos da história nacional.

Do massacre do Carandiru à queda do presidente Collor, passando pela vida de Lampião, pela abdicação de Dom Pedro I e pelo suicídio de Getúlio Vargas, a autora não se limita a um único tema. Ela detalha, por exemplo, quando milhares de estudantes saíram de casa vestidos de preto e fizeram passeatas em dez capitais. Chamados de caras-pintadas, passaram a exigir o impeachment de Fernando Collor. 365 dias que mudaram o Brasil permite que o público conheça os bastidores de episódios que fazem parte do cenário brasileiro. Confira um trecho da obra:

(...) Os nomes dos detentos mortos, no maior massacre a história do sistema penal brasileiro, em 2 de dezembro de 1992, no Carandiru, foram repetidos seguidas vezes durante 24 horas, em diferentes tons, por 24 artistas, estudantes, intelectuais e desportistas chamados pelo artista Nuno Ramos para dar vida à instalação 111, vigília, canto e leitura. O objetivo foi trazer a público a memória e identidade dos indivíduos assassinados pelo Estado.

Thiago Lincolins


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