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Em “Humanos”, jornalista britânico conta a história a partir do fracasso

Jornalista britânico faz antologia boca-suja das decisões mais imbecis da história

Fábio Marton Publicado em 14/11/2018, às 13h00 - Atualizado às 18h01

“Quanto custaria uma guerra mundial?”, charge de 1903
“Quanto custaria uma guerra mundial?”, charge de 1903 - Getty Images

História e humor se misturam? A AH, que sempre teve como missão despertar o interesse do público em geral para a História, tem paixão por esquisitice e, mea culpa, mais de uma vez cruzou a fronteira do bom gosto, é suspeita de falar. 

Humanos: Uma Breve História de Como F*demos com Tudo se dedica a contar a história humana do ponto de vista do fracasso. Seu autor, o jornalista britânico Tom Phillips é ex-editor jornalístico do Buzzfeed e hoje atua numa ONG para verificação de fatos. É a história pelo ponto de vista dos perdedores – no sentido da língua inglesa, losers, os fracassados, mas mais os que falharam de forma espetacular que as vítimas.

Uma conquista do humor negro, o livro está na lista do mais lido na categoria Cultura Popular na Amazon. Começa pela australopiteca Lucy, a mais antiga celebridade pré-humana. Como ela se entrou para a eternidade, há 3,2 milhões de anos, por ter tomado um baita tombo de uma árvore. 

Em meio à histórias obscuras, aparecem alguns dos favoritos da AH, como a Batalha de Karánsabes, o trágico destino do U-1206, afundado por uma descarga na privada mal dada, e as aventuras sexuais do Sultão Ibrahim.

Para quem não tem restrições à linguagem chula, o livro cumpre seu papel de entreter e informar, por vezes ligeiramente, por vezes um pouco mais a fundo, sobre como eventos inusitados ou bem conhecidos – as invasões de Napoleão e Hitler à Rússia, para ficar só em um exemplo. Se algumas de suas interpretações – nesse mesmo exemplo, que a Alemanha foi vítima do inverno, como Napoleão – podem não ser consenso entre historiadores profissionais, o ponto não é fazer História original, mas desenvolver a teoria semi-séria de que a imbecilidade humana, esse recurso infinito (segundo a citação falsa de Einstein), é um fator subestimado para interpretar a História.

Dito de outra forma, para fazer jus à linguagem de Phillips: a c*gada sempre está à espreita.