Notícias » Civilizações

Resíduos de cobre do século 12 a.C podem provar que reino bíblico realmente existiu, revela estudo

Arqueólogos acreditam ter encontrado os primeiros vestígios reais de Edom. Entretanto, a descoberta divide opiniões

Fabio Previdelli Publicado em 25/09/2019, às 11h15

Pesquisadores escavando a região
Pesquisadores escavando a região - Reprodução

Após análises realizadas em resíduos de minas de cobre, pesquisadores podem ter comprovado a existência do reino bíblico de Edom — mencionado no primeiro livro da Bíblia cristã, o Gênesis — e que, até então, nunca apresentou vestígios reais. A região, que atualmente pertence às nações da Jordânia e Israel ao sul do mar Morto, é referenciada na passagem como um estado que existia “antes dos reis governarem os filhos de Israel”.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD) e da Universidade de Tel Aviv analisaram sobras deixadas em minas de cobre nos dois principais centros de produção da região, Faynan e Timna, que ficam a cerca de 100 quilômetros de distância um do outro.

A partir do material coletado, foi possível encontrar evidências de que houve produção do metal entre os séculos XII e XI a.C. , exatamente no mesmo período e região que a Bíblia o descreveu. Esse material era utilizado na Antiguidade para produzir ferramentas e armas, o que exige vários níveis de conhecimento.

O ponto principal da pesquisa, publicada semana passada na revista Plos One, sugere que a quantidade de cobre deixada nas antigas escarpas pode mostrar a evolução e o refinamento da indústria manufaturada ao longo de 500 anos. Os locais também foram fortificados com armamentos, indicando uma necessidade de defesa do Estado contra inimigos externos.

No entanto, nem todos estão convencidos pelas descobertas ou pelas afirmações ousadas de que um antigo reino de Edom foi encontrado. Israel Finkelstein, professor de arqueologia da Universidade de Tel Aviv, que não estava envolvido na pesquisa, interpreta os resultados de outra forma.

Mapa que mostra onde ficaria Edom / Crédito: Wikimedia Commons


Ele coloca a possibilidade dos antigos moradores serem nômades e não se conglomerarem formalmente para se tornarem uma região coesa, o que só teria acontecido mais tarde, por volta de 800 a.C. “Os nômades do deserto, mesmo uma formação territorial de nômades do deserto, sem centros urbanos, podem ser descritos como um reino?”, questionou.

Entretanto, o professor Tom Levy, da UCSD, principal arqueólogo da pesquisa, disse que seu projeto não tem viés político ou religioso. Em entrevista ao Times, ele revelou que suas descobertas nasceram da ciberarqueologia, um campo emergente que relaciona ciência da computação, engenharia e ciências naturais com a arqueologia.

"Os dados nos levaram a um lugar onde o registro arqueológico realmente coincide com muitos aspectos da Bíblia e do reino bíblico", explicou Levy. "Isso foi uma surpresa para nós".