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Restos mortais de mulher revelam migração de longa distância há 4 mil anos

A “Dama no poço”, como ficou conhecida, foi morta de uma maneira brutal e vários ferimentos foram encontrados em seus ossos

Isabela Barreiros Publicado em 02/06/2020, às 13h43

Rota da Ásia Central até o Mediterrâneo
Rota da Ásia Central até o Mediterrâneo - Centro de Pesquisa Max Planck-Harvard

Pesquisadores descobriram os restos mortais de uma mulher, que morreu por volta dos 40 a 45 anos, no fundo de um poço na antiga cidade de Alalakh, no sul da Turquia. Ela foi encontrada nas ruínas da região e lançou luz aos cientistas envolvidos na pesquisa sobre a movimentação humana há 7500 e 3000 anos atrás.

Conhecida como “Dama no poço”, acredita-se que ela tenha nascido na Ásia Central, segundo testes de DNA realizados em seus ossos. Sua origem estava a 3200 quilômetros ou mais de distância do local em que viveu e morreu, uma região que estava florescendo entre a Turquia e o Irã.

Crédito: Centro de Pesquisa Max Planck-Harvard

 

"Como e por que uma mulher da Ásia Central — ou de ambos os pais — veio para Alalakh não é clara", disse o arqueólogo da Universidade Ludwig Maximilian e co-autor do estudo publicado na revista científica Cell, Philipp Stockhammer. "Comerciante? Escravos? Casamento? O que podemos dizer é que geneticamente essa mulher é absolutamente estrangeira, para que ela não seja o resultado de um casamento intercultural", explicou.

Ela viveu durante um momento crucial da humanidade, e morreu entre 1625 a.C e 1511 a.C, após o crescimento da agricultura e criação de cidades-estados. Devido a essa importância, é possível perceber que entender a movimentação humana durante esse período é essencial para compreendermos as dinâmicas daquele tempo.

Além disso, a mulher faleceu de maneira brutal, inúmeros sinais de ferimentos foram encontrados em seu corpo. "Portanto, uma mulher solteira ou uma família pequena chegou a essa longa distância. A mulher é morta. Por quê? Estupro? Odeio contra estrangeiros? Roubo? E então seu corpo foi jogado no poço”, disse Stockhammer.