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Richard Gere será testemunha contra líder italiano de extrema-direita

Ex-ministro do Interior da Itália Matteo Salvini é réu por sequestro de pessoas e prevaricação

Redação Publicado em 27/09/2021, às 08h00

O ator Richard Gere
O ator Richard Gere - Getty Images

O italiano Matteo Salvini, líder do partido de extrema-direita Liga, afirmou no último domingo, 26, que o conhecido ator americano Richard Gere será testemunha em um processo no qual é réu. Segundo informações do UOL, o político que atuou como ministro do Interior no passado, é acusado de sequestro de pessoas e prevaricação.

Conforme a fonte, em agosto de 2019, época em que Salvini fazia parte do governo, 147 migrantes que estavam a bordo barco da ONG espanhola ProActiva Open Arms foram impedidos de desembarcar. 

"Richard Gere vai testemunhar contra mim. Eu o conheço como ator, mas não entendo que tipo de lição ele possa me dar, aos italianos e italianas sobre as nossas regras e as nossas leis. Se alguém quer transformar o processo em um espetáculo e quer ver o Richard Gere, que vá ao cinema, não ao tribunal", declarou o político durante um evento em Assis.

O ex-ministro ainda chegou a ironizar o fato ao dizer que irá aproveitar "para pedir um autógrafo para levar para minha mãe". A audiência deverá ocorrer no dia 23 de outubro em Palermo.

De acordo com o portal de notícias, o ultranacionalista foi o principal responsável pelo endurecimento das políticas migratórias da Itália após ter instituído dois "Decretos de Imigração e Segurança", conhecidos como "Decretos Salvini".

Entre as medidas previstas nesses documentos estavam a restrição de estadia no país europeu por razões humanitárias, prisões de comandantes de embarcações, além de multas de até 1 milhão de euros para ONGs que insistissem em navegar sem permissão nas águas territoriais da Itália.

Diante dessa questão, muitas personalidades ao redor do mundo se posicionaram contrariamente aos decretos. Uma das mais notáveis figuras foi o ator Richard Gere, que chegou a ir até um dos barcos que foram impedidos de entrar em território italiano. Após ser criticado pelo norte-americano, Salvini declarou que o mesmo deveria "levar todas as pessoas a bordo e colocá-las em suas mansões".