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Robôs microscópicos encontram forma nova de se reproduzir

Os chamados xenobots surpreenderam cientistas com sua maneira nunca antes vista de reprodução

Pedro Paulo Furlan, sob supervisão de Pamela Malva Publicado em 30/11/2021, às 20h00

Exemplos de xenobots entre acúmulos de células-tronco
Exemplos de xenobots entre acúmulos de células-tronco - Divulgação / Douglas Blackinston e Sam Kriegman

Desenvolvidos por uma aliança das universidades de Vermont, Tufts e do Instituto Wyss para Engenharia Biologicamente Inspirada da Universidade de Harvard, os xenobots são pequenos robôs criados a partir de células-tronco de sapos e, agora, aprenderam a se reproduzir de uma maneira nunca antes vista pelos cientistas.

Com menos de um milímetro de tamanho, estes robôs foram apresentados ao mundo em 2020 e representam uma possibilidade de se estudar a criação de equipamentos artificiais, mas feitos de células biológicas.

Uma completa surpresa, contudo, a nova reprodução é um fenômeno raro, como afirmou Michael Levin, da Universidade Tufts e coautor principal da pesquisa.

Os sapos normalmente se reproduzem de uma certa maneira, mas quando você libera [as células] do resto do embrião e dá a elas a chance de descobrir como é estar em um novo ambiente, elas não apenas descobrem uma nova maneira de se mover, mas também descobrem, aparentemente, uma nova maneira de se reproduzir”.
Visão próxima de xenobot, formato de 'c', reproduzindo-se - Foto: Reprodução / Douglas Blackinston e Sam Kriegman

 

A maneira encontrada pelos cientistas foi um processo muito raro durante a observação dos xenobots, usando um procedimento observado em moléculas, mas nunca em células ou organismos. Por isso, inclusive, os cientistas procuraram maneiras de tornar essa reprodução mais recorrente e eficaz.

Utilizando de uma Inteligência Artificial, a equipe de pesquisa testou inúmeras formas corporais para que estes robôs pudessem se reproduzir mais vezes, finalmente assentando-se em uma forma de pac-man que consegue reunir centenas de células-tronco, explicou Josh Bongard, da Universidade de Vermont e principal autor do estudo.

A IA não programou essas máquinas da maneira que normalmente pensamos sobre como escrever código. Ela moldou e esculpiu e surgiu com essa forma de Pac-Man. A forma é, em essência, o programa. A forma influencia como os xenobots se comportam para amplificar esse processo surpreendente”, afirmou Bongard.

Os pequenos robôs podem ser úteis para diversas tarefas dentro do corpo e no meio-ambiente, provando que sua pesquisa é algo deveras importante, como defendeu Bongard: “Muitas coisas são possíveis se aproveitarmos esse tipo de plasticidade e capacidade das células para resolver problemas”.