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Roedor espacial: Amostras de sêmen de rato levados à ISS geram ninhada saudável, diz estudo

Pesquisa pode ajudar a compreender ponto importante em projetos de exploração e colonização humana em outros planetas. Entenda!

Fabio Previdelli Publicado em 14/06/2021, às 10h21

Ninhada de ratos oriunda de amostras de sêmen enviada à ISS
Ninhada de ratos oriunda de amostras de sêmen enviada à ISS - Divulgação/Teruhiko Wakayama/Universidade de Yamanashi

Com projetos espaciais cada vez mais abundantes, muito se especula sobre a possibilidade de se colonizar outro planeta. Elon Musk, por exemplo, já disse que planeja construir um foguete a cada 72 horas para enviar pessoas à Marte, como relembra matéria publicada pela equipe do site do Aventuras na História

Porém, será que a radiação cósmica pode afetar o nosso DNA presente em células reprodutivas? Pensando em esclarecer esse ponto, pesquisadores japoneses iniciaram, em 2013, um projeto que levou três caixas com 48 amostras de esperma de rato em cada uma delas, para ficarem armazenadas na Estação Espacial Internacional (ISS)

Para preservar esse material, as amostras passaram pelo processo de criodessecação, que consiste em desidratar um produto e congelá-lo a vácuo, o que permite que o mesmo seja conservado por décadas.  

Com isso, o primeiro lote foi enviado de volta à Terra após depois de nove meses na ISS; o segundo após dois anos e nove meses; e o último após cinco anos e 10 meses.

Quando chegaram aqui, as amostras foram reidratadas e conseguiram gerar uma ninhada de 168 ratos — todos se nenhuma alteração genética. Os resultados do estudo foram divulgados na última sexta-feira, 11, na Science Advances

O próximo passo do processo é esperar que a ninhada conquista maturidade para que os ratos consigam acasalar dentro do próprio grupo, de maneira aleatória. Isso permitirá saber se a próxima geração também será saudável ou não.  

"Todos os filhotes tinham uma aparência normal", disso o biólogo Teruhiko Wakayama, líder do estudo e pesquisador da Universidade de Yamanashi, no Japão, em entrevista à AFP. 

“No futuro, quando chegar a hora de migrar para outros planetas, precisaremos manter a diversidade dos recursos genéticos, não apenas para humanos, mas também para animais de estimação e animais domésticos”, completou o pesquisador em artigo da Science Advances.  

Segundo Wakayama, células germinativas deverão ser a alternativa encontrada por cientistas para levarem espécies a outros planetas, afinal, transportar animais vivos seriam mais caro e necessitaria de uma segurança maior. Além disso, como explica a Galileu, o processo de criodessecação permite estocar o material genético por até 200 anos.  

Os pesquisadores também estudarão outros pontos antes que essa alternativa seja considerada viável, como, por exemplo, os efeitos da radiação espacial em óvulos e em embriões fertilizados.