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Rússia bombardeia cidade pouco após prometer interromper ataques

A cidade ucraniana sitiada de Chernihiv sofreu com bombardeios russos na noite desta quinta-feira, 30, como informou seu prefeito

Redação Publicado em 30/03/2022, às 09h51

Prédio residencial atingido por bombas, em Kiev
Prédio residencial atingido por bombas, em Kiev - Getty Images

A cidade ucraniana sitiada de Chernihivfoi bombardeada pelas tropas russas durante a noite desta quinta-feira, 30, horas depois de o governo de Vladimir Putin prometer que suspenderia os ataques na região em razão das negociações de paz em andamento.

Segundo o prefeito da cidade, Vladyslav Atroshenko, os russos mentiram e continuaram os ataques em Chernihiv, situada a menos de quilômetros ao norte da capital do país, Kiev, com bombardeios “sérios”.

Como reportou o jornal britânico The Guardian, é estimado que cerca de 400 pessoas tenham morrido na região desde a invasão russa à Ucrânia há mais de um mês. A população está vivendo sem eletricidade, água e gás.

“A noite foi exatamente como esperávamos, que [tudo o que a Rússia prometeu] é uma mentira do começo ao fim, é por isso que à noite tivemos alguns bombardeios sérios à noite. E os russos estavam tentando destruir todos os meios possíveis de cruzar o rio Desna em direção a Kiev”, informou Atroshenko.

Ele continuou: “Os moradores vivem uma verdadeira crise humanitária há semanas sem eletricidade, sem aquecimento, sem água, apenas em algumas áreas da cidade há gás [gás natural, não gasolina]. Milhares de edifícios são destruídos. Ontem, nosso distrito, Liotka, foi bombardeado de forma especialmente pesada, onde algumas pessoas morreram e dezenas ficaram feridas”.

“Você já conheceu mentirosos em sua vida? O que está por trás de suas mentiras? Eles são apenas mentirosos. Eles mentem o tempo todo! [Sergei] Lavrov [o ministro das Relações Exteriores da Rússia] mente que esta é apenas uma 'operação', militares russos mentem quando dizem que esta 'operação' é contra as forças armadas da Ucrânia, e nós dizemos que eles estão destruindo civis de propósito, eles propositalmente lançando bombas em civis em plena luz do dia em baixas alturas, eles estão nos bombardeando com minas de 120 mm e você sabe que isso não é uma arma precisa, está apenas bombardeando toda a cidade”, completou.

Na última terça-feira, 29, o vice-ministro da Defesa da Rússia, Alexander Fomin, afirmou durante conversas em Istambul que o Kremlin desejava “aumentar a confiança mútua, criar as condições certas para futuras negociações e alcançar o objetivo final de assinar um acordo de paz com a Ucrânia”.

Ele também disse que a Rússia “reduziria radicalmente a atividade militar na direção de Kiev e Chernihiv”.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy havia declarado que, ainda que as negociações com o inimigo tenham apresentado sinais “positivos”, “elas não abafam as explosões de granadas russas”.

“O inimigo ainda está em nosso território”, disse ele. “O bombardeio de nossas cidades continua. Mariupol está bloqueada. Mísseis e ataques aéreos não param. Essa é a realidade. Esses são os fatos”, completou.