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Secretário-geral da ONU teria sido assassinado em 1961

Dag Hammarskjold, líder da ONU, faleceu em uma viagem ao Congo. Sua morte continua sendo o maior enigma da história da ONU

Joseane Pereira Publicado em 23/08/2019, às 12h00

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Reprodução

Na noite de 18 de setembro de 1961, um avião transportando Dag Hammarskjold, secretário-geral das Nações Unidas, caiu em uma floresta na atual Zâmbia. O objetivo era realizar uma missão de paz na recém-independente nação africana do Congo. As 15 pessoas a bordo faleceram, incluindo funcionários da ONU e tripulação do avião. Embora as investigações indicassem erro do piloto, rumores de crime surgiram imediatamente.

O acidente

Até hoje, Hammarskjold é lembrado por seu papel em moldar a ONU como uma força ativa na manutenção da paz em todo o mundo. Nos anos 60, sua atenção voltou-se para a África Central, onde o Congo Belga havia se tornado a República do Congo independente. Porém, conflitos no interior do país levaram as tropas de paz da ONU a apoiar o governo central da República contra os separatistas de Katanga.

Na época, investigações sobre o acidente atestaram que o avião estava voando muito baixo quando se aproximou do aeroporto. Mas um inquérito oficial da ONU emitiu um veredicto aberto em abril de 1962, afirmando que não poderia descartar sabotagem ou ataque.

Destroços do avião / Crédito: Reprodução

 

Suspeitas e novas investigações

Harold Julien, o único tripulante que não faleceu instantaneamente, relatou que houve uma explosão a bordo do avião. Entretanto, as autoridades não o levaram a sério por estar sedado. Essas incertezas alimentaram teorias sobre grupos poderosos dentro e fora da África, que não queriam que os esforços de manutenção da paz de Hammarskjold no Congo tivessem sucesso.

Outra teoria centra-se em documentos divulgados na década de 1990, sugerindo que o Instituto Sul-Africano de Pesquisa Marítima (SAIMR) orquestrou o acidente de avião com apoio da inteligência britânica e da CIA. 

No ano de 2017, após o ex-secretário-geral Ban-ki Moon assumir a liderança da ONU, o juiz Mohamed Othman foi convocado para revisar o caso. Apesar de não chegar a uma conclusão definitiva, foi relatado parecer “plausível que um ataque ou ameaça externa possa ter sido a causa do acidente, seja por meio de um ataque direto… ou causando distração momentânea nos pilotos”.

Em 2018, o inquérito de Othman foi relançado pelo Secretário-Geral da ONU, António Guterres. No meio do apelo para que os países de todo o mundo fossem transparentes, o governo sueco bloqueou o pedido de acesso a documentos oficiais - sugerindo que, mesmo na terra natal de Hammarskjold, ainda há muito a se descobrir sobre o mistério de sua morte.