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Seis crianças afegãs morrem após ataque de drone dos EUA, afirma família

A explosão comandada pelo Exército norte-americano aconteceu no último domingo, 29, na região do aeroporto de Cabul

Pamela Malva Publicado em 31/08/2021, às 20h00

Fotografia de rabiscos de crianças afegãs refugiadas na Alemanha
Fotografia de rabiscos de crianças afegãs refugiadas na Alemanha - Getty Images

No último domingo, 29, um ataque de drone comandado pelos Estados Unidos causou a morte de diversas pessoas na região do aeroporto de Cabul, no Afeganistão. Acontece que, segundo parentes, pelo menos dez vítimas eram da mesma família, sendo que seis delas eram crianças com idades entre 2 e 12 anos.

Em entrevista à BBC, Ramin Yousufi e seus parentes narraram que o alvo da explosão foi um carro estacionado na frente da casa da família. O Exército dos EUA, por sua vez, afirmou que o veículo escondia um associado do Estado Islâmico (Isis-K), afirmando que os civis ao redor podem ter sido atingidos nas explosões que sucederam o ataque.

É errado, é um ataque brutal, e foi feito com base em informações erradas", narrou Ramin Yousufi. "Por que mataram nossa família? Nossas crianças? Eles foram tão carbonizados que não conseguimos identificar seus corpos, seus rostos."

Emal Ahmadi, o pai de Sumaya, a menina de dois anos morta no episódio, acredita que os Estados Unidos “cometeram um erro, um grande erro". Diante das declarações, inclusive, o secretário de imprensa do Pentágono, John Kirby, afirmou que o governo norte-americano "não está em posição de contestar" os relatos dos parentes.

Deixando claro que o caso está sendo investigado, o secretário ainda pontuou que “nenhum Exército na face da Terra trabalha mais para evitar mortes de civis dos que o dos EUA, ninguém quer ver vidas inocentes serem tiradas".

Levamos isso muito a sério e quando sabemos que causamos perdas de vidas inocentes na condução de nossas operações, somos transparentes a respeito”, narrou Kirby.

Nesse sentido, o secretário deixou claro, em entrevista à imprensa, que o ataque foi comandado porque “acreditávamos ser uma ameaça muito real, muito específica e muito iminente" contra o Aeroporto Internacional de Cabul por parte do Estado Islâmico.

Muito disso porque os Estados Unidos estão em alerta desde a semana passada, quando um atentado suicida vitimou mais de 100 civis e 13 militares norte-americanos na região do aeroporto. O atentado, ocorrido no dia 26, foi reivindicado pelo Isis-K.