Sem fogo e com insetos: a dieta dos ancestrais

Cientistas revelaram o que hominídeos comiam há 1,2 milhão de anos

Redação AH Publicado em 19/12/2016, às 09h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h35

Reconstrução espanhola do Homo antecessor
Reconstrução espanhola do Homo antecessor - Milena Guardiola
É a dieta paleo do paleo. Cientistas do Instituto Catalão de Pesquisas e Estudos Avançados examinaram dentes de 1,2 milhões de anos, de uma mandíbula encontradas no sítio arqueológico Sima del Elefante, Espanha, pertencentes a uma espécie de ancestral humano não identificado (pela época, possivelmente o Homo erectus ou antecessor). 

Removendo o tártaro nos dentes, eles puderam estudar os microfósseis que revelavam a dieta desse hominídeo. Um tanto indigesta: havia vestígios de carne, duas espécies de gramíneas, restos de uma perna de inseto e escama de asa de borboleta. E também restos de madeira.

As gramíneas eram comidas pelas sementes - como comemos ainda hoje gramíneas como trigo, arroz e milho. A madeira indica que os ancestrais palitavam os dentes. Mas o maior achado está na ausência: não há sinais de carvão, que são onipresentes em achados de ancestrais mais recentes. Isso quer dizer que eles comiam tudo cru. 

Especialistas discutem ainda hoje quando nossos ancestrais dominaram o fogo, com alguns colocando essa data em até 1,8 milhões de anos atrás. Essas datas terão que ser revistas: há 1,2 milhão de anos, todo mundo ainda era crudicista.