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Semelhante ao 'Tutancâmon da Inglaterra': A impressionante descoberta de 1.400 anos feita no Reino Unido

O notável artefato teria sido perdido por um senhor anglo-saxão no passado e foi encontrado por meio de um detector de metais em abril

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 08/08/2021, às 08h00

A "pirâmide de espada" encontrada em Norfolk, na Inglaterra
A "pirâmide de espada" encontrada em Norfolk, na Inglaterra - Divulgação/Andrew Williams - Conselho Do Condado De Norfolk

Em 1938, a britânica Edith Pretty decidiu que iria começar a escavar o terreno em que morava em Suffolk, no sul da Inglaterra, contando com a ajuda do arqueólogo autodidata, Basil Brown. A partir das escavações, os dois fizeram uma das descobertas mais importantes da Grã-Bretanha.

Eles encontraram uma embarcação anglo-saxã com mais de 25 metros de comprimento e recheada de artefatos — 263, para exatidão. Entre eles, estavam armas, fivelas, distintivos, um capacete, e, inclusive, um item conhecido como “pirâmide de espada” ou ainda “arreio de espada”.

O achado foi tão importante que se tornou inspiração para um romance histórico, escrito pelo jornalista inglês John Preston, e para um filme, dirigido por Simon Stone, que entrou para o catálogo da plataforma de streaming Netflix em fevereiro deste ano.

"Pirâmides de espada" encontradas em Sutton Hoo / Crédito: DIvulgação/British Museum

 

No entanto, as descobertas realizadas no Reino Unido não pararam naquela época — elas continuam a todo vapor.

Na última semana, a BBC noticiou um caso que aconteceu em abril, quando um britânico usando detector de metais encontrou um item, muito parecido com o que fora revelado em Sutton Hoo.

A nova descoberta

"É muito semelhante aos exemplos recuperados durante a escavação mundialmente famosa de Sutton-Hoo em 1939", disse Helen Geake, a oficial de ligação do Finds (Portable Antiquities Scheme). 

Enquanto o artefato da escavação de Edith Pretty data do século 7, é possível que o adorno de espada com joias encontrado recentemente seja ainda mais antigo, remontando ao século 6, o que dá cerca de 1.400 anos.

A descoberta foi feita no distrito de Breckland, em Norfolk, no leste da Inglaterra, e, assim que foi identificada, foi entregue ao Gabinete do Coroner de Norfolk, como consta na lei do país, que protege os achados arqueológicos feitos na região. 

Segundo a especialista, o artefato é feito de ouro e almandina; além de extremamente pequeno: ele mede mais ou menos 12 mm por 11,9 mm, pesando apenas três gramas e sendo usados para prender uma espada à sua bainha.

"Acredita-se que eles fizeram um pouco mais de esforço para tirar a espada da bainha, possivelmente atuando como um controle sobre uma reação de raiva", explicou a pesquisadora, que destaca que os itens eram geralmente presos ao final de faixas enroladas em uma espada. 

Um ‘senhor’ anglo-saxão

O artefato encontrado recentemente na Inglaterra / Crédito: Divulgação/Andrew Williams - Conselho Do Condado De Norfolk

 

O pequeno objeto foi desenvolvido entre os anos 560 e 630 d.C. Naquele período, a região fazia parte do reino anglo-saxão de East Anglia, o que explica as ricas decorações e o fino revestimento observadas no item.

Para Geake, o ‘arreio’ provavelmente pertenceu a alguém da classe alta da época, até mesmo a figura mais importante daquele tempo. 

A pesquisadora sugeriu que o objeto pode ter pertencido a “alguém na comitiva de um grande senhor ou rei anglo-saxão, e ele teria sido um senhor ou thegn [um nobre medieval] que poderia ter encontrado seu caminho para os livros de história''.

Ela explicou que “eles ou seu senhor tinham acesso a ouro e almandinas de alta habilidade artesanal” e, por isso, o item extremamente trabalhado só poderia ter sido produzido para pessoas de alto escalão na sociedade da época.

E o mais interessante é que, com o crescimento da prática de usar detectores de metais no solo britânico, essas pequenas peças estão sendo cada vez mais identificadas no país. Helen destacou que elas são “cada vez mais comuns” como descobertas ao acaso, ou seja, provavelmente em perdas acidentais.

"Os senhores andariam cambaleando pelo campo em seus cavalos e os perderiam”, disse a especialista.

Assim, as ‘pirâmides de espada’ não seriam comumente encontradas em túmulos de pessoas importantes da época ou no subsolo a partir de morte em batalha.

Era bem mais simples que isso. Além disso, elas sempre vinham em pares e descobrir apenas uma “era como perder um brinco — muito chato”.


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