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Seriado sobre Coronavírus gera debates de gênero na China

Inspirada no dia-a-dia de agentes de saúde na cidade de Wuhan, a produção recebeu diversas críticas por tratar mulheres como coadjuvantes na luta contra a doença

Pamela Malva Publicado em 24/09/2020, às 17h00

Imagem meramente ilustrativa de enfermeira
Imagem meramente ilustrativa de enfermeira - Divulgação/Pixabay

No dia 17 de setembro, o primeiro drama inspirado na luta dos médicos contra o Coronavírus foi lançado no principal canal da China. Agora, a série 'Heroes in Harm's Way' está sendo criticada pela forma como representou as médicas do país.

Principais combatentes na linha de frente contra a doença que assola o mundo, as mulheres foram tratadas como coadjuvantes na produção. O problema é que, na vida real, elas são a maioria nos hospitais e laboratórios chineses, segundo apurou a BBC.

O episódio piloto da série, que despertou debates sobre o sexismo no país, recebeu a nota de 2,4 em 10 possíveis pontos da crítica. Para muitos internautas, isso se deu por culpa das diversas cenas machistas e problemáticas que a produção apresentou.

Pôster de divulgação da série / Crédito: Divulgação/CCTV

 

No geral, os críticos tentam entender se alguns episódios retratados na série teriam o mesmo desfecho caso os personagens fossem homens. Ainda mais, muitos papéis femininos foram apresentados em uma posição de submissão.

Tal discrepância, para diversos veículos, não faz sentido, já que, em maio, segundo o Diário do Povo, cerca de 70% dos profissionais na linha de frente eram enfermeiras. Da mesma forma, o China Daily afirma que 90% dos profissionais da saúde são mulheres.

Na cidade de Wuhan, onde o seriado se passa, as estatísticas indicam que aproximadamente um terço dos trabalhadores na área de saúde da cidade são médicas e enfermeiras. Por fim, até mesmo na construção dos hospitais de campanha, segundo o jornal Global Times, as mulheres representam a grande maioria.